CURVA DO RIO

MINEIRO SABIDO

MINEIRO SABIDO

Por Chico Piranha

Por Chico Piranha

Publicada há 7 anos


Este fato aconteceu no último feriadão da Semana Santa. Nosso amigo Eder de Lollo, lá da Globo Alarmes, em companhia de alguns parentes de São Paulo, combinou uma pescaria de piaus no rio Grande. Tralha checada, isca e trato providenciado, tanque do carro bem cheio, uma baita caixa de isopor entupida de cerveja gelada, zarparam rumo à fazenda de um conhecido do Eder, morador no lado mineiro do rio.


No caminho de ida, tudo correu que foi uma beleza, apesar da estradinha de terra massapé, com uns cinco quilômetros de chão até chegar no ponto de pesca. O problema foi na volta, com a noite caindo, quando atolaram o carro num barreiro, numa baixada. Gozado que haviam passado pelo lugar logo cedo, e não houve problema. E durante o dia todo, também não havia chovido. Aquele barreiro era um mistério.


Nisso avistaram de longe um trator com uma carreta cheia de tambores, desses de leite, vindo na direção deles. Pronto, o problema estava resolvido, era só providenciar uma corda, amarrar o carro e pedir para o dono do trator puxar o possante para fora do atoleiro.


Conversaram com o tratorista, e ele, sempre solícito como todo bom mineiro, disse que pra fazer o serviço cobrava apenas uma pequena taxa simbólica; só R$20,00 por passageiro! Como não havia alternativa, o jeito foi botar a mão na carteira e pagar pelo serviço.


Terminado o trabalho de reboque, enquanto um dos parentes fazia o pagamento, o Eder puxou conversa com o mineiro. Queria saber se aqueles tambores na carreta do trator,estavam todos cheios de leite...


--- Num é leite não, moço. Hoje em dia a roça já não rende mais como antigamente, e eu tenho lá em casa seis barrigudinhos prá criar. Aí já viu, né, a gente tem que se virar, uai... Aqueles latões ali, tão tudo cheios de água do rio...


--- Então, o senhor tem irrigação na sua roça?


--- Que irrigação que nada, meu fio. Aquela água ali é pra “ieu” fazermeu “atolerim” aqui, uai...





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