
Não faz muito tempo, a coluna Balaio de Gato, brincou de forma bem humorada com essa onda do politicamente correto, que assola o Brasil. Pensando bem, lembrando da brincadeira na coluna, acho que chegamos ao limite da insanidade, com essa bobagem toda.
Agora, as palavras da moda na mídia, na boca do povo e dos milhares de especialistas e terapeutas de plantão, é o Bullying, a homofobia, o racismo, o preconceito, etc. São palavras pontuais ou como se dizia antigamente, velhos clichês. Então, igual Jack, o Estripador, vamos por partes. Calma, que eu chego lá! Hoje em dia, de mamando a caducando, todo mundo acha que os anos sessenta foram maravilhosos. E eram fantásticos mesmo.
As pessoas eram felizes, descomplicadas e despachadas. Não tinha essa frescura toda, esse “não me toques, não me reles”, esse afetamentode hoje em dia.O povo brasileiro de um modo geral está mudado e para pior. As pessoas andam amargas, infelizes, depressivas e atése estressando por qualquer bobagem. Quer ver alguns exemplos? O tal do Bullying existe desde que o mundo é mundo, mas agora virou moda porque é uma expressão importada e então, é chique etambém é politicamente correto. Nos anos sessenta, nas portas das escolas, nas ruas, ou nos campinhos de futebol, o bullying era assim: “gospe aqui se ocê fô homi”.
Se o menino cuspisse na mão esticada ou no risco divisório feito no chão, o pau quebrava. Ai o ultrajado saía no braço com o desafiante e depois de alguns sopapos prá lá e prá cá, chegava a turma do ”deixa disso “e separava os brigões. E ninguém chegava chorando em casa, feito “manteiga derretida”, porque senão, levava outra coça. Dessa vez, dos próprios pais. Sempre tive deficiência visual e desde muito cedo, aguentei toda sorte de apelidos e brincadeiras de amigos que me chamavam de caolho, zaroio e galo cego. Quando comecei a usar óculos, aí mudou; era o “quatro olhos”.
E daí? Nem por isso deixei de ir a escola, jogar futebol, tomar banho de rio, ir nas quermesses, nas festas e nos bailinhos com a minha turma. A moçadinha daquele tempo, era bem resolvida. Não tinha essa afetação toda de hoje em dia, não. Quer saber? A gente não estava nem aí com os apelidos. Havia um amigo da nossa turma, que teve um princípio de paralisia infantil e como seqüela, ficou com uma perna menor que a outra; quando caminhava, mancava um pouco e daí, ganhou o apelido de ”deixa que eu chuto”.
Como ele era um carinha muito bem humorado, “levava numa boa”, a brincadeira dos amigos. Em compensação era o melhor aluno da classe e foi um dos primeiros colocados no concurso estadual do antigo Banespa. Era o jeito que ele dava o troco. Compensava sua deficiência, com o emprego da inteligência. E por acaso, existe alguma resposta de superação melhor que esta? No lendário timinho de futebol da antiga Avenida Doze onde crescemos todos juntos jogando bola, ninguém era chamado pelo nome. Todo mundo tinha um apelido.
O goleiro era o Varinha, porque era magricela. Aí tinha o Alemão, o Patinha, o Fio, o Bagre, o Boi, o Mecha Branca, o Tatinha, o Cuequinha, o Zé Carioca, o Pardal, o Vavá, o Bigurrilo, o Peninha, o Zé Pinico, o Beija-Flor, o Tagiba, o Buja, o Beraba, o Pedro Lustroso, o Careca, o Nézico, o BepeItaliano, Nico, o Nego, o Tiziu e mais uma penca de apelidos que não melembro. Fora esses, é claro, haviana turma vários afrodescendentes, alguns com apelidos que hoje renderiam belos processos e até cadeia. E ninguém levava isso a sério.
Eram tempos inocentes e felizes. Tanto, que somos amigos até hoje. E aqueles meninos levados, arteiros e zombeteiros, cresceram juntos e hoje, alguns são profissionais liberais respeitados, empresários bem sucedidos, funcionários dedicados, homens de bem, bons chefes de família,e o mais importante de tudo isso, é que apesar das brincadeiras, havia e há até hoje, um grande respeito de uns para com os outros. Essa coisa de politicamente correto, já está passando das medidas. Pasme, mas soube dia desses que agora nas creches e nas escolas, as crianças não cantam mais ”O cravo brigou com a rosa”.
A explicação da professora do neto de um amigo meu de São Paulo, foi comovente; a briga entre o cravo (o homem) e a rosa (a mulher) estimula a violência entre os casais. Na nova letra, agora é assim:”o cravo encontrou a rosa/debaixo de uma sacada/o cravo ficou feliz/e a rosa encantada”. Jesus, Maria e José... piedade! Pelo jeito, o próximo passo vai ser enquadrar o cravo, na lei Maria da Penha! Será que essa professora ou sabe-se lá quem foi o ilustre autor disso, por acaso sabe que “o cravo brigou com a rosa“, faz parte de uma suíte de 16 peças que o consagrado maestro Heitor Villa Lobos, criou à partir de temas recolhidos no folclore brasileiro?
É Villa Lobos, cacete!!! Outra música que teve sua letra mudada por conta dessa mania foi Samba Lelê. No meu tempo era assim: Samba Lelê tá doente/ Tá com a cabeça quebrada/Samba Lelê precisava/ É de umas boas palmadas/. A palmada está proibida, estimula a violência contra a menina Lelê. A tia do maternal, agora ensina assim: Samba Lelê tá doente/ tá com uma febre malvada/Assim que a febre passar/ Samba Lelê vai estudar/. Por acaso, Samba Lelê, também é de autoriado grande Villa Lobos, que à esta altura do campeonato deve estar se revirando no seu túmulo! Já que é assim, que tal fazer o serviço completo? Então fica assim: Samba Lelê, musica de autoria de Villa Lobos e letra de Tia Nildinha, do Jardim Escola Criança Feliz! Tenha a santa paciência! E haja paciência... Semana que vem, tem mais. Até lá!