José Renato Se

Qu’est-ce que le Cinema?

Qu’est-ce que le Cinema?

José Renato Sessino Toledo - Professor

José Renato Sessino Toledo - Professor

Publicada há 7 anos

A pergunta acima demanda infinitas respostas, todavia, a mais acertada, a meu ver, nos remete a um nome: André Bazin. Seu centenário dia 18 de abril, suscita relembrá-lo, como alguém fundamental, por várias razões, dentre as quais, listo algumas: além de crítico de cinema, foi um filósofo, nas palavras de Giles Deleuze, foi o pioneiro no pensar filosófica e artisticamente a sétima arte, criou a maior publicação na área, o célebre “Cahiers du Cinema”, adotou o jovem Françoise Truffaut, tornou-se seu tutor e mentor, transformando-o num dos seus argutos e decisivos críticos na grande publicação e futuro cineasta. Foi o precursor na Nouvelle Vage, por exemplo.


Bazin, dono de belo texto, rico, literária e filosoficamente, construiu um olhar incomum e básico para se ver filmes, cujas reflexões e proposituras permanecem vivas e atuais. O rigor de seu texto permitiu uma nova forma de pensar e vê-los.

Como crítico cinematográfico, elidiu um trabalho, cujos ecos mantem-se fundamentais e guia para as gerações futuras. Ensinou-nos a assistir a uma película.


Palestrante prolífico, fundou cineclubes; divulgou a sétima arte como poucos e legou a humanidade uma de suas maiores contribuições: a publicação dos “Cahiers du Cinema”. Referência planetária em crítica cinematográfica.


Como um pedagogo, construiu uma plêiade de discípulos, mundo a fora. No Brasil, cito dois nomes decisivos para nossa cinematografia e crítica: Paulo Emílio Sales Gomes e Ismail Xavier.


Por meio dos Cahiers, ensinou ao mundo a assistir e a compreender àqueles que eram considerados “filmes menores”: os filmes B norte-americanos. Elevou-os à categoria de “Film noir”.


Trouxe à luz nomes como: Howard Hawks, John Houston, Max Ophüls, Oto Preminger, além de consagrar Alfred Hitchcock.


De sua visão e crítica, cercou-se de jovens talentosos, os quais, formou grandes críticos, colaboradores da “Cahiers du Cinema” e futuros cineastas da Nouvelle Vage: Truffaut, Godard, Chabrol, Rivette, Homer.


Infelizmente, vitimado por uma leucemia, nos deixou com apenas quarenta anos.

Como presente, deixou-nos rica bibliografia, referência e base para qualquer apaixonado e interessado no cinema e, principalmente, para todos que pretendem transformar sua paixão – como a de Bazin -, num ofício, quer como crítico ou como cineasta.


Se tivesse que responder à pergunta que faz o título dessa coluna, responderia: André Bazin.

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