Carlos Eduardo

O contrassenso dos adultos

O contrassenso dos adultos

Carlos Eduardo Maia de Oliveira - Professor

Carlos Eduardo Maia de Oliveira - Professor

Publicada há 7 anos

Qual pai ou mãe não deseja educar bem os seus filhos? Ensinar-lhes a respeitar as pessoas, a fazer o bem, a ser honestos, a se comportar bem à mesa de jantar, transmitir-lhes valores que foram passados de geração em geração, enfim, 


Quando crianças, somos constantemente repreendidos pelos adultos ao cometermos uma traquinagem. Eles nos ensinam que não se deve mentir, que temos que nos esforçar para obter boas notas na escola, chamam-nos a atenção para não maltratar os animais, a preservar o meio ambiente e a lutar, de forma limpa, pelos nossos sonhos e objetivos.


Quantas regras e horários! Horário para dormir, para acordar, almoçar, jantar, brincar e estudar. Em um lar em que impera a boa educação, desde cedo nos impõem limites e nos transmitem grandes ensinamentos, ou pelo menos, é assim que deveria ser.


O tempo passa e, aos poucos, vamos crescendo, não somente em tamanho, mas também em percepção do mundo que nos rodeia. Ficamos mais atentos às pessoas e suas atitudes e quando chegamos à fase adulta...


Ah, a fase adulta! Nessa etapa de nossas vidas parece que tudo aquilo que nos foi ensinado na infância pelos adultos foi esquecido por boa parte deles. Seus conselhos, outrora transmitidos aos mais jovens, na prática, muitas vezes não são verificados em suas ações no dia a dia.


Adultos mentem, trapaceiam, são mesquinhos, sentem inveja, maltratam os animais, não respeitam o meio ambiente, brigam no trânsito, e, com certa frequência, não tratam bem as pessoas, incluindo os idosos (como se eles, os adultos, nunca fossem chegar à senilidade e nunca tivessem recebido a orientação de tratar bem a pessoa da terceira idade). Estranho ciclo!


Quando penso nessa contradição, sempre me recordo de uma jovem canadense de 12 anos na época chamada Severn Suzuki que, durante a ECO 92 (uma grande conferência ambiental que ocorreu no Rio de Janeiro, em 1992) fez um discurso que desmoralizou chefes de Estado, diplomatas e jornalistas que estavam presentes no auditório (todos adultos, é claro). Seguem nas próximas linhas algumas de suas palavras proferidas naquele dia: “... sou apenas uma criança, mas ainda assim, sei que se todo o dinheiro gasto nas guerras fosse utilizado para acabar com a pobreza, para achar soluções para os problemas ambientais, que lugar maravilhoso a Terra seria! Na escola, desde o jardim da infância, vocês nos ensinaram a ser bem comportados. Vocês nos ensinaram a não brigar com os outros, resolver as coisas bem. Respeitar os outros. Arrumar nossas bagunças. Não maltratar outras criaturas. Dividir e não ser mesquinho. Então, por que vocês fazem justamente o que nos ensinaram a não fazer? Não esqueçam o motivo de estarem assistindo a estas conferências, e para quem vocês estão fazendo isso. Vejam-nos como seus próprios filhos. Vocês estão decidindo em que tipo de mundo nós iremos crescer. Os pais devem ser capazes de confortar seus filhos dizendo-lhes: “Tudo ficará bem”, “Estamos fazendo o melhor que podemos”. Mas não acredito que possam nos dizer isso. Estamos sequer na sua lista de prioridades? Meu pai sempre diz: “Você é aquilo que faz e não aquilo que você diz”. Bem, o que vocês fazem nos faz chorar à noite. Vocês adultos nos dizem que nos amam. Eu desafio vocês. Por favor! Façam suas ações refletirem as suas palavras. “Obrigada.”


“FAÇAM SUAS AÇÕES REFLETIREM AS SUAS PALAVRAS”! Não consigo pensar em uma frase melhor para concluir esse texto, levar o leitor à reflexão e destacar o contrassenso dos adultos. O mundo seria melhor se os próprios adultos seguissem os conselhos dados aos seus filhos e mantivessem em seus corações a pureza presente na alma das crianças.

               

               

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