
Antes de contratar o Juca Lustroso, o compadre Geraldo de Mello, lá de aparecida do Tabuado, tinha um outro capataz na sua fazenda que também era pau prá toda obra. No serviço, o moço era um colosso, mas como ninguém nesse mundão de Deus é perfeito, sempre que contava um causo, o rapaz “desagerava” um cadinho no tamanho da onça, da capivara,do peixe...O moço era caprichoso nos causos.
Preocupado com essa mania e tentando preservar a reputação e a boa fama do rapaz, compadre Geraldo conta que um belo dia fez um trato com o moço. Sempre que ele estivesse exagerando um pouquinho no tamanho das coisas e dos bichos, tomava um beliscão, como sinal de alerta. Era um código entre o patrão e o peão.
Trato feito, certa noite quando o povo da fazenda estava reunido no galpão, em volta da grande mesa de pranchão, tomando um engasga-gato e jogando conversa fora, o capataz, que sempre ficava sentado à direita do compadre Geraldo, começou contar como matou no facão uma cobra sucuri... de uns 18 metros de comprimento!
O compadre olhou feio pro peão e lascou o primeiro beliscão e o tamanho da cobra encolheu prá nove metros... outro beliscão e a “sucurizona” virou um “fiotão” de quatro metros e meio. Aí, com umas a mais na moleira e já meio atrapalhado, quem começou “desagerar” foio compadre, que não parava mais de beliscar o coitado. E a cobra foi encolhendo... até que não aguentando mais, o capataz apelou:
--- Doutor Geraldo, juro pela alma da minha santa mãezinha, a sucuri era do tamanho de uma cobrinha cega,.. ”anssim, ó,piquitinha, piquitinha!”