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Fernandopolenses abandonam carreira na cidade para ‘iniciar do zero’ no exterior

Publicada há 8 anos

Breno Guarnieri Fernandopolenses abandonam carreira na cidade para ‘iniciar do zero’ no exterior

Daniel Issoe mudou-se para o Japão em busca de trabalho após ficar longo período desempregado em Fernandópolis 



No começo deste ano, a fernandopolense Paula Lima Carvalho, 26 anos, decidiu que era hora de dar um tempo do Brasil. Desanimada com o quadro político e econômico do país, que ela descreve como turbulento, a jovem administradora decidiu se candidatar internamente a uma posição como diretora de marketing regional das Américas, para trabalhar em Orlando, nos Estados Unidos.


Aprovada em fevereiro, ela deve se mudar em junho para assumir o novo cargo e diz ter certeza de que o momento não poderia ser mais adequado à mudança. “O cenário atual está muito ruim, o que faz com que pontos críticos do Brasil, como a violência e os problemas na saúde e na educação, fiquem ainda mais evidentes”, diz.


Não é um caso isolado

A opção feita por Paula não é um caso isolado. Passar um tempo em outro país é uma saída para quem deseja “turbinar” o currículo e conhecer uma cultura diferente da usual. “A maioria dos jovens procura fazer um intercâmbio com o objetivo de aprimorar o idioma e ganhar experiência de vida”, destacou Paulo Serafiano, gerente da CI (Central de Intercâmbio).


Muitos profissionais, aliás, estão topando a mudança mesmo que ela não venha acompanhada de todas as comodidades associadas a um pacote de expatriação. “Um pacote de expatriação costuma prever pagamento de aluguel do funcionário no exterior, escola dos filhos e garantia de recolocação no retorno ao Brasil”, acrescenta Paulo Serafiano.


Conjunto de fatores

O engenheiro da computação Guilherme Ruiz, de 30 anos, foi um dos que toparam a transferência internacional em busca de novas oportunidades. “Foi por um conjunto de fatores, que vão desde o quadro econômico atual, com inflação e estagnação da economia, passando pelos inúmeros escândalos de corrupção, fruto da falta de planejamento”, diz Guilherme, que mora há 8 meses em Budapeste, capital da Hungria.


Para efetuar a mudança para o país europeu, sua mulher, Marta Ruiz, 28 anos, que também trabalha na área de TI, precisou abrir mão do emprego que tinha em Fernandópolis. Mesmo assim, o casal não se arrepende da decisão. “Não pensamos em retornar a Fernandópolis tão cedo”, afirma Guilherme.


Do outro lado do mundo

Daniel Issoe, 39 anos, é um desses profissionais bem formados que decidiram tentar uma oportunidade no exterior após ficarem sem emprego no país por muito tempo. A motivação veio da insatisfação com o cenário político, definido como caótico, e o aumento constante do custo de vida. “Dá a sensação de que a gente trabalha demais só para pagar as contas, sem expectativa nenhuma”, afirma Daniel, que ficou desempregado por dois anos em Fernandópolis. “Nesse período eu só conseguia ‘bicos’. Nada concreto”, acrescenta.


De concreto, por enquanto, ele conseguiu emprego em uma montadora de carros em Nagoya, no Japão. “Não tive escolha. Tive que voltar para cá (Japão), onde já morei por 7 anos”, finaliza.   


Remuneração no país menos competitiva

O gerente da CI, Paulo Serafiano, finaliza que a desvalorização do real ante o dólar e a inflação alta deixaram a remuneração no país menos competitiva, servem de combustível para o interesse pelo trabalho no exterior. “Antes, os altos salários pagos no Brasil deixavam as transferências menos atraentes - hoje, não mais”, diz.

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