Da Redação

Diretores da AES Tietê juntamente com o diretor do Jornal “O Extra.net”, Beto Iquegami
Em visita à sede de “O Extra.net” na tarde da última quarta-feira, 16, os representantes da AES Tietê, Rodrigo D’Elia, diretor de Engenharia, Construção e Serviços, e João Eduardo Barril Tavares, gerente de Relações Institucionais, Comunicação e Sustentabilidade, confirmaram à equipe de Reportagem um investimento de R$ 300 milhões para a construção de um megaempreendimento de energia solar, em Ouroeste, denominado Complexo Solar Boa Hora. Ainda de acordo com os diretores, durante a fase de construção serão gerados até 500 empregos diretos e indiretos, sendo que 70% da mão de obra serão da região. Confira os principais detalhes da entrevista:
O EXTRA.NET: Por que Ouroeste?
RODRIGO: Ouroeste foi escolhida no Estado de São Paulo porque combina basicamente duas coisas. Tem uma boa irradiação que precisa para gerar energia solar e tem acesso às linhas de transmissão. O projeto, originalmente, tinha se desenvolvido no Nordeste, em novembro do ano passado, daí nós trouxemos o projeto para São Paulo e fomos escolher a localização até chegar em Ouroeste, colaborando com a logística de estar perto de outras plantas da empresa.
JOÃO EDUARDO: Nós buscamos a região, a conexão, aí fomos atrás de terrenos, objetivando achar um proprietário que opte alugar o terreno durante um prazo relativamente longo. Há uma lei que uma sociedade de controle estrangeiro não pode ter terreno rural no país, então tivemos que alugar.
O EXTRA.NET: Qual a previsão para a construção?
RODRIGO: A obra já começou com a compactação. Faz um mês aproximadamente. A data que pensamos para entrar em operação é no dia 1º de novembro de 2018.
O EXTRA.NET: Qual a fase do empreendimento?
JOÃO EDUARDO: Estamos na fase da terraplanagem, começando a fazer as primeiras fundações. É uma área de aproximadamente 160 hectares.
O EXTRA.NET: Como será a comercialização da energia?
RODRIGO: A energia parte de um leilão. Quando a AES comprou o projeto, comprou também um leilão, ganho em 2015, que era de energia de reserva. Como é um leilão, segue o procedimento do Governo Federal e quando você gera a energia você já tem um contrato de vários anos para poder vender a referida energia. Já há um preço combinado, um período combinado. Essa energia vai para o sistema, se é um leilão de energia nova as distribuidoras se habilitam e compram a energia. Se é um leilão para energia de reserva há uma necessidade do sistema que organiza o leilão e os consumidores pagam por meio de um encargo na tarifa. Essa planta é para gerar energia nessa modalidade e quando o contrato acaba fica uma energia disponível para ser comercializada.
O EXTRA.NET: Qual a estratégia de investimento em energia solar?
RODRIGO: A empresa tem uma estratégia que é ter 50% de sua receita até 2020 vindo de fontes renováveis não hidráulicas. Para isso, a empresa investe em energia eólica e solar. É uma estratégia para crescer no ramo. Isso é uma tendência, as indústrias e o consumidor estão pedindo por essa demanda. Você tem pouco impacto ambiental e uma demanda de carbono quase zero.
O EXTRA.NET: Qual a expectativa em relação à geração de empregos?
RODRIGO: A geração de empregos começa pequena e vai crescendo. No pico da construção a gente estima entre 450 e 500 pessoas trabalhando. Entre 60% e 70% dessa mão de obra deve ser regional. A Prefeitura de Ouroeste irá receber os currículos e fazer o primeiro filtro da seleção dos candidatos.
COMPLEXO SOLAR BOA HORA
O Complexo terá capacidade total de geração de energia de 91 MWp. A AES Tietê esclarece que o valor total da aquisição é de R$ 75 milhões a ser pago com recursos disponíveis em caixa. Ainda de acordo com informações obtidas pela Reportagem, a empresa conseguiu a autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e do Ministério de Minas e Energia para transferência do local de construção do Complexo Solar Boa Hora. A planta está sendo construída em Ouroeste, localizada a três quilômetros da Usina Hidrelétrica de Água Vermelha.
De acordo com a administração municipal de Ouroeste, o Complexo Solar Boa Hora é disparado a melhor (e maior) conquista de todas as atuais administrações do noroeste paulista, podendo incluir no comparativo municípios de porte muito maior como Fernandópolis, Jales, Votuporanga, Santa Fé e até Rio Preto. E a razão principal, mas não a única, é que abrirá as portas e as vistas da população regional para uma nova fonte de energia, limpa, renovável e não poluidora, que se insinua, junto à eólica e a maremotriz, como salvação para o futuro energético da humanidade.