MINUTINHO:
O “Pai Nosso”
Será inútil dizer “PAI NOSSO” se em minha vida não ajo como filho de Deus, fechando meu coração ao amor.
Será inútil dizer “QUE ESTAIS NO CÉU” se os meus valores são representados pelos bens da Terra.
Será inútil dizer “SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME” se penso apenas em ser cristão por medo, superstição e comodismo.
Será inútil dizer “VENHA A NÓS O VOSSO REINO” se acho tão sedutora a vida aqui, cheia de supérfluos e futilidades.
Será inútil dizer “SEJA FEITA A VOSSA VONTADE ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU” se no fundo desejo mesmo é que todos os meus desejos se realizem.
Será inútil dizer “O PÃO NOSSO DE CADA DIA NOS DAI HOJE” se prefiro acumular riquezas, desprezando meus irmãos que passam fome.
Será inútil dizer “PERDOAI AS NOSSAS OFENSAS ASSIM COMO NÓS PERDOAMOS A QUEM NOS TENHA OFENDIDO” se não me importo em ferir, injustiçar, oprimir e magoar os que atravessam o meu caminho.
Será inútil dizer “E NÃO NOS DEIXEI CAIR EM TENTAÇÃO” se escolho sempre o caminho mais fácil, que nem sempre é o caminho de Deus.
Será inútil dizer “LIVRAI-NOS DO MAL” se por minha vontade procuro os prazeres materiais, e se tudo que é proibido me seduz.
Será difícil dizer “AMÉM” porque sabendo que sou assim, continuo me omitindo e nada faço para me modificar.
Autoria desconhecida
CRÔNICA
Que Fernandópolis você quer?
Eu tive um sonho!
Inexplicavelmente, parece que me situava em algum ponto futuro no tempo, não sabendo precisar exatamente quando, mas foi maravilhoso. Vislumbrei com clarividência, o que será nossa cidade no porvir. E como é belo o que vem pela frente!
Nela não existiam queixumes contra nossos políticos, afinal, todos tinham por princípio basilar o cumprimento de seus compromissos e o bem estar da população, sobretudo a mais carente.
Também não havia lamúria dentre os eleitores, pois todos tinham consciência das dificuldades em atender suas demandas e, principalmente, porque nenhum deles havia, durante a campanha, usufruído de benesses indevidas, tais como combustível gratuito, churrasquinho, permanente para eventos e até um dinheirinho extra por baixo do pano.
Também contemplei que as dificuldades financeiras dos nossos governantes tinham acabado. E o motivo era singular: todos os contribuintes, sobretudo aqueles que mais devem aos cofres municipais, tinham vida reta e cumpriam suas obrigações.
Admirei ainda a alegria em inúmeros lares. Famílias inteiras com expressões de felicidades a estampar as faces, dialogando em salas confortáveis e assistindo às programações televisivas diversas. Todas sem uso das populares “Sky Gatos”.
Observei ainda que inexistiam reclamações dos trabalhadores. A satisfação era geral. Patrões cumpriam seus compromissos e pagavam bem e retamente seus colaboradores, tratando-os com respeito, que, por sua vez, cumpriam seus horários, bem desempenhavam suas funções, e não utilizavam o carro da empresa indevidamente; não se desvirtuavam das funções com as redes sociais e não mais proclamavam impropérios contra seus patrões ou a empresa publicamente.
Ainda contemplei nossas ruas e avenidas. Quão belas elas serão! Motoristas e pedestres em sincronia perfeita como uma sinfônica. Todos respeitavam as sinalizações, davam preferências e setas corretamente; respeitavam as vagas dos idosos e deficientes...
Confesso. Assustei-me ao sentir-me nas dependências da Santa Casa. Mas foi momentâneo. Quanta diferença! O ambiente era claro, luminoso, de uma limpidez impecável. Não havia filas, necessitados de atendimentos. Todos eram imediatamente socorridos, com presteza, educação e qualidade. Enfermeiros e médicos dispunham de tempo de sobra para minuciosas consultas. Medicamentos, os mais variados, eram colocados, gratuitamente, à disposição de todos. E assim o era em toda rede municipal dessa área.
Passei pelas dependências das Delegacias de Polícia e no Batalhão da Polícia Militar. Quanta gentileza! A educação e a cortesia prevaleciam, afinal poucos lá estavam, pois criminosos praticamente não existiam e os que surgiam, além da aplicação das meritosas punições, lhes eram facultado programas assistências a garantir-lhes a devida reinserção na sociedade e tornando-os cidadãos do bem.
Presenciei uma reunião de grandes empresários. Foi em um ambiente aberto, de acesso ao público, afinal, nada havia a esconder. A preocupação principal era, além de auferir lucros em seus empreendimentos - é claro -, promover obras e ações negociais preservando o meio ambiente, buscando a sustentabilidade e com responsabilidade social.
Adentrei, respeitosamente, em templos dos mais variados credos. Mas era estranho! Por mais diferentes que fossem as opções religiosas - católicos, protestantes, espíritas, evangélicos, afrodescendentes... - havia um respeito mútuo. Todos comungavam de um ideal superior e único: a fé no Criador que, aliás, estava presente em todos os lugares e não circunscrito às sedes das Igrejas e similares.
A última lembrança que me tornou foi de um local que, outrora, deve ter sido um abrigo para pessoas da terceira idade. Mas quão diferente era! Idosos bem vestidos, saudáveis, bem aparentados, com sorrisos fáceis, acalentados por familiares a visitarem-os constantemente, vigiados por profissionais bem vestidos, simpáticos e dispostos à colaboração.
A partir daí, lembro-me de ter visto os primeiros raios do alvorecer. Acordei!
Decorrido alguns minutos, percebi que fora apenas um sonho.
Entristeci-me!
Com o fluir do tempo, conscientizei-me da realidade: não fora um sonho. Foi uma visão do futuro.
Futuro qual, nós mesmo, individual e coletivamente, alcançaremos.