PRÉ-HISTÓRIA

Mamífero mais antigo do Brasil viveu na região na época dos dinossauros

Publicada há 8 anos

Agência FapespMamífero mais antigo do Brasil viveu na região na época dos dinossauros

Brasilestes stardusti existiu há mais de 70 milhões de anos no atual Estado de São Paulo. Descrição foi feita a partir de dente fossilizado e publicada na Royal Society Open Science (foto: Mariela Castro) 



Brasilestes stardusti. Assim se chama o mais antigo mamífero conhecido para as terras brasileiras. Viveu entre 87 milhões e 70 milhões de anos atrás no fim da era Mesozoica, onde hoje é o noroeste do Estado de São Paulo. Trata-se do único mamífero brasileiro que, sabe-se até o momento, conviveu com os dinossauros.


A descoberta de Brasilestes foi anunciada nesta quarta-feira (30/05) pela equipe do professor Max Langer, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da Universidade de São Paulo, que teve apoio de colegas da Universidade Federal de Goiás, da Universidade Estadual de Campinas do Museu de La Plata e do Massachusetts Institute of Technology.


Brasilestes foi descrito a partir de um único fóssil: um dente pré-molar de 3,5 milímetros, encontrado em rochas da Formação Adamantina que afloram no meio de um pasto na fazenda Buriti, em General Salgado (SP).  


“O dente de Brasilestes é pequeno e se encontra incompleto, pois lhe faltam as raízes”, disse a paleontóloga Mariela Cordeiro de Castro, a primeira autora do trabalho que acaba de ser publicado na Royal Society Open Science.


O nome da nova espécie homenageia o roqueiro inglês David Bowie, morto em janeiro de 2016, um mês após a descoberta do fóssil. Brasilestes stardusti faz alusão a Ziggy Stardust, ou Ziggy “poeira estelar”, personagem vindo do espaço que Bowie criou para uma canção de 1973.


O trabalho contou com apoio da FAPESP e integra o Projeto Temático “A origem e irradiação dos dinossauros no Gondwana (Neotriássico - Eojurássico)”, coordenado por Langer. 


“Os depósitos de General Salgado são bem conhecidos. De lá já saíram vários crocodilos mesozoicos. O afloramento em particular onde achei Brasilestes é interessante, com dezenas de fragmentos de cascas de ovos daqueles crocodilos. Ao me debruçar em uma parte do afloramento para ver o que possivelmente tinha de cascas de ovos, me deparei com o dentinho. Se permanecesse mais alguns dias exposto, a chuva levaria embora”, disse Júlio Marsola, um dos integrantes da pesquisa.




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