ATITUDE QUE VAL

Jovem da região realiza sonho de ser doador de medula óssea

Publicada há 8 anos

Livia Caldeira



No final do ano passado o psicólogo Caio Giacometti, 25 anos, foi surpreendido com uma ligação. Do outro lado, uma pessoa se identificou como sendo do REDOME - Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea. A voz embargou, veio aquele frio na barriga. A notícia foi recebida com um pouco de medo, mas também com uma alegria sem tamanho. Após anos inscrito no banco de doação de medula óssea, o jovem era compatível com uma pessoa que precisava muito de um transplante para sobreviver. As chances de um paciente encontrar um doador compatível são de 1 em cada 100 mil pessoas, em média.


Ele conta que havia realizado o cadastro no REDOME em março de 2014 através da campanha "Seja um Herói, Salve vidas!". "Na época era para salvar a vida do pequeno João Pedro (in memoriam). Me lembro como se fosse hoje. Eu estava na faculdade quando seu pai passou na nossa sala contando sobre a campanha que estava realizando para salvar a vida do filho. A história de luta desse pai me sensibilizou muito. Eu fiz o cadastro, mas infelizmente ninguém da faculdade era compatível com o João Pedro", relembra.


Três anos depois, o psicólogo recebeu um primeiro telefonema, informando que seria um possível doador compatível com uma pessoa que necessitava do transplante. "Eu não tenho palavras para descrever a minha alegria nesse dia, afinal sempre foi um sonho meu ajudar a salvar uma vida", conta.


O jovem, que é morador de Santa Fé do Sul, fez todos os exames necessários e em abril deste ano viajou para São Paulo para realizar o procedimento. Lá, ele passou por uma série de perguntas para confirmar se estava realmente seguro. "Não tive dúvidas de que seguiria adiante para realizar meu sonho. Deus colocou em minhas mãos a chance de salvar uma vida, por que eu perderia essa oportunidade tão especial?".


No dia 16 de maio ele foi internado e no dia seguinte deu-se inicio o procedimento de doação da medula óssea. "Em nenhum momento eu senti medo. Sabia que daria tudo certo e assim aconteceu. Não posso saber quem é a pessoa que recebeu a doação. A única informação que tenho é que se trata de uma mulher de 50 kg que agora carrega consigo os meus cromossomos, ela agora é praticamente minha irmã. Quero muito poder conhecê-la um dia", afirma.


Caio acredita que não fez mais do que a sua obrigação e espera que a sua atitude possa incentivar outras pessoas. "Precisamos ser menos egoístas e mais altruístas, nos colocar no lugar do outro, entender a dor do próximo. O que eu fiz por essa desconhecida é o que eu faria pelos meus pais. Doar "a vida" para essa pessoa foi uma forma de eu demonstrar amor e gratidão pela minha vida", finaliza.


Jovem da região realiza sonho de ser doador de medula óssea

Caio no Hospital Santa Marcelina, em São Paulo, onde foi realizado o transplante 

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