“Nossa arte, nossos monumentos literários estão carregados de ecos do passado, nossos homens de ação trazem incessantemente na boca suas lições, reais ou supostas”(Marc Bloch)
A frase que abre este texto mostra-se essencial para compreensão dos estudos em História e Memória social. Perceber as permanências e mudanças por meio dos ecos do passado proporciona uma experiência válida a qualquer um que tem na disciplina História sua fonte de vida e prazer. Encontrar pessoas de ação que contem histórias num mundo como o de hoje não é tarefa fácil, uma vez que nem sempre todos os sujeitos históricos estão dispostos a colaborar, ou ainda alguns não mais estão entre nós.
Um livro de História/Historiografia quando pensado e elaborado e depois publicado e, lido toma forma, ganha vida própria, configura-se um corpo que não mais pertence àquele que escreveu, e sim se estrutura pela ressignificação de quem o acompanha, neste caso a recepção da proposta apresenta-se também de fundamental importância.
Como sabemos, a História tem a função de lembrar, preservar e registrar a memória da Sociedade. Cabe ao Historiador a função de dialogar com as fontes (nesse caso as entrevistas, recortes de jornal, revistas, fotografias) analisando-as e assim buscar fornecer explicações, ou melhor, problematizar tais explicações para a construção de uma história.
No caso de História Local, muitas vezes nos deparamos com disputas pela memória coletiva oficial, por meio das inúmeras fontes que possibilitam que haja a construção desse fazer histórico. Deste modo, é importante tomar fontes históricas como necessárias para o trabalho do historiador de análise e de crítica ao processo histórico e nesse caminho, as memórias devem ser consideradas.
Ao se pensar na coleta de entrevistas com moradores pioneiros de uma localidade, atividade principal de um Projeto de História Oral para captura das memórias, deve-se levar em consideração que suas falas estão marcadas pelo tempo: pela intrínseca relação entre lembrança/esquecimento e, assim como outras fontes são objetos de análises e críticas por parte do historiador, pois muitas vezes nos cativa ao nos apresentar inúmeras versões de um outro tempo histórico: aquele tempo que, permanece vivo nas lembranças de seus narradores.
Forte Abraço. Boa Reflexão.
Sobre o Autor
Graduado em História pelas Faculdades Integradas de Cassilândia MS
Mestre em Educação pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul
Diretor de Escola na EMEF José Gaspar Ruas