Eternium

O menino que agora enjeitamos à porta da tempestade será mais tarde um cultivado

O menino que agora enjeitamos à porta da tempestade será mais tarde um cultivado

Eternium

Eternium

Publicada há 7 anos

MINUTINHO:

Eu me coloquei em seu lugar


Coloquei-me em seu lugar...

Não na hora que lhe deram o primeiro, dos incontáveis açoites que viriam a seguir.

Nem na hora que lhe colocaram a coroa de espinhos; nem na hora que o fizeram carregar, morro acima, a pesada cruz.


Nem na hora que você tombou ao peso dela; nem na hora em que cravos imensos atravessaram seus pulsos e seus pés.


Nem na hora que lhe deram vinagre, quando implorou água; nem nas tormentosas horas que precederam a sua morte, cujo sofrimento, todas as palavras do mundo não poderiam descrever.


Era a consumação e você sabia que a libertação estava próxima. Sabia também que estava levando consigo todos os pecados dos homens, conforme orientação de seu Pai.


Eu me coloquei no seu lugar durante a sua vida.


A sua força para fazer-se entender por corações endurecidos e ignorantes.

A sua imensa solidão por ter tanto a ensinar e tão poucos ouvidos para compreendê-lo.


O trazer ao mundo toda a Luz e, ainda assim, ser invisível para tantos.

O poder ler os pensamentos dos homens e ver que, mesmo diante de todas as provas e de todos os milagres, duvidavam e engendravam formas de liquidá-lo covardemente.


Sua sagrada hora no horto, quando anteviu tudo que adviria e, estando dentro de um corpo humano, sentiu medo. Tanto medo, a ponto de suar sangue e rogar a Seu Pai que, se possível, o livrasse daquele cálice, mas que se fizesse a vontade Dele e não a Sua.


Jesus! Você esteve sempre imensamente só, porque até os que o amavam desertaram na hora da sua extrema paixão.


E hoje, passados mais de dois mil anos, quantos ainda o negam?

Autoria desconhecida.


CRÔNICA

A pedra no meio do caminho

Cafarnaum era uma cidadezinha que se situava no lado setentrional do lago de Genesaré. Seus vales eram frescos, cortados por arroios cantantes. Em suas praias as águas eram boas para a pesca e, por essa razão, disputadas pelos pescadores. O casario era baixo, cercado por árvores frondosas, coloridas por trepadeiras de flores miúdas. Jesus amava aquela cidade e a escolheu para o início de Seu ministério de amor. Corria de boca a ouvido a notícia das curas e dos maravilhosos feitos do Mestre Nazareno, atraindo curiosos e aflitos das cercanias. A casa de Simão Pedro havia sido invadida por grande número de pessoas que buscavam Jesus.


O sol estava alto, quando um grupo, carregando um paralítico, tentou aproximar-se da porta. A multidão era tão compacta que não foi possível.


Porém, tamanha era a aflição do doente, há muito preso ao leito, que seus amigos ergueram-no ao terraço e desceram-no pelo teto da sala onde estava o Rabi. Abriu-se um pequeno espaço na apinhada sala, e o Mestre, sem demonstrar qualquer surpresa, olhou demoradamente para o enfermo.


- Natanael ben Elias, crês que eu possa te curar? – Perguntou Jesus, olhando-o nos olhos.


- Sim, creio. – Respondeu rapidamente.


Tomado de súbito estremecimento, perguntou:

- Senhor! Como sabes o meu nome? Conheces-me?


Pensamento da Semana

"O menino que agora enjeitamos à porta da tempestade será mais tarde um cultivador da tempestade no mundo”.

Cairbar Shuterl


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