PAPEL SOCIAL

Jogo da Seleção vira estímulo para internos da Fundação Casa

Publicada há 8 anos

Da Redação

Jogo da Seleção vira estímulo para internos da Fundação Casa

Internos da Fundação Casa assistem jogo da Seleção



Em uma televisão de 20 polegadas, de tubo, os olhares de 50 jovens e funcionários da Fundação Casa, em Rio Preto, só tinham uma torcida: pela sequência do Brasil na Copa da Rússia.


"Está todo mundo torcendo para o Brasil ganhar a Copa. O time tem uma bela história. Tem hora que dá uma recaída no futebol deles, mas não desistem e conseguem os resultados", comentou A.F., de 18 anos. Parecia que ele até falava sobre as situações e percalços da vida, mas era "apenas" sobre futebol.


Cumprindo papel social, os jogos da Seleção Canarinho também servem para fortalecer a relação entre quem cumpre medida socioeducativa e quem trabalha no local. "É um momento de integração dos adolescentes com os funcionários. Trabalhamos com vínculos e os jogos do Brasil ajudam a fortalecê-los", explicou a encarregada técnica Alessandra Campo Fonseca.


Se não bastasse a torcida pela manutenção na Copa, a expectativa entre os jovens é ganhar o bolão organizado pelo corpo pedagógico em cada jogo para adoçar as tardes de internação. Quem acerta o resultado ganha chocolates, alimento restrito entre os jovens e que só está presente em ocasiões e datas especiais como Natal, Páscoa ou gincana, por exemplo.


Durante o jogo, os lances do craque Neymar foram os que causaram maior alvoroço entre os torcedores. A tranquilidade e alívio veio apenas no começo do segundo tempo com o gol do atacante, mas na primeira etapa o comentário entre os internos era de como o goleiro mexicano Ochoa era bom.


Passado no futebol

Quem jogava bola antes de estar na Fundação sabe o poder transformador do esporte na vida de um jovem. Com 17 anos, A.M. está no local por envolvimento com tráfico de drogas, mas já jogou como ponta direita nas categorias de base do América. "Às vezes penso em poder sair e jogar e como poderia estar melhor, com uma vida mais preparada. Bate um arrependimento, ainda mais porque tive vários avisos para parar, seja da mãe ou dos amigos", comentou o menor.


Ele só chegou ao futebol por conta de um problema na perna aos cinco anos de idade. "Pediram para praticar um esporte para melhorar e escolhi o futebol", acrescentou.


Segundo ele, quando era atleta se dedicava bastante, era rápido, tinha boa finalização e passe de longa distância. "O futebol pode mudar a vida da pessoa, é só se dedicar", disse. Na Fundação, ele joga apenas nas aulas de educação física. "Aqui é mais respeitoso, um futebol diferente, não tem xingamentos", falou.


Além das aulas de educação física e outras matérias, na Fundação, os jovens que cometeram delitos fazem curso de educação profissional básica como rotina administrativa, informática, arte e cultura, danças urbanas e capoeira.


Para a Copa do Mundo, os jovens prepararam cartazes com informações sobre o evento e decoraram parte do local. São em torno de 84 jovens cumprindo medida socioeducativa e que dividiram-se em duas salas para que todos pudessem assistir ao jogo.


*Com informações do Diário da Região

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