Carlos Eduardo

Apenas um pardal

Apenas um pardal

Carlos Eduardo Maia de Oliveira - Professor e Biólogo

Carlos Eduardo Maia de Oliveira - Professor e Biólogo

Publicada há 7 anos

Outro dia, assisti a um pequeno filme na internet que me levou a refletir sobre uma situação enfrentada pelos pais idosos e que gostaria de compartilhar com meus leitores. Segue, nas próximas linhas, a narrativa da história.


Um pai, já idoso, estava com seu filho sentado em um banco de praça quando, de repente, pousou em frente deles um pequeno pássaro.


O pai perguntou ao seu filho:

- O que é aquilo?


Seu filho, dando pausa na leitura de seu jornal, respondeu com ar de desinteresse:

- É um pardal.


O passarinho voou e pousou em uma planta, quando o pai, novamente, perguntou:

- O que é aquilo?


O filho respondeu com rispidez:

- Eu já disse, pai. É um pardal.


O pai, ao observar o pássaro voando para o alto de uma árvore, insistiu:

- O que é aquilo?


O filho, demonstrando impaciência e irritado com a insistência do pai em fazer a mesma pergunta, respondeu de modo grosseiro:

- Um pardal, pai. Um pardal. É um pardal.


Logo após responder, o filho ficou olhando, com fisionomia agressiva, para seu pai e esperando que ele repetisse a pergunta.


Não deu outra! O pai então, notando outro passarinho que estava próximo, tornou a fazer a pergunta.


Dessa vez, o filho respondeu aos gritos:

- Por que está fazendo isso? Eu já disse várias vezes. Isso é um pardal! Não consegue entender?


Foi então que o pai, chateado, levantou-se do banco e começou a caminhar. O filho, imediatamente, perguntou-lhe onde estava indo.


O pai fez um gesto indicando que o filho esperasse e logo voltou com um diário em suas mãos. Abriu-o em uma página e pediu que lesse em voz alta.


Então, o filho começou a ler o seguinte texto: “hoje meu filho caçula, que há uns dias completou três anos, estava sentado comigo no parque, quando um passarinho pousou na nossa frente. Meu filho me perguntou, 21 vezes, o que era aquilo... E eu respondi as 21 vezes que era... um pardal. Eu o abracei todas as vezes que ele repetiu a pergunta, vez após vez, sem ficar bravo, sentindo carinho pelo meu inocente garotinho”.


O filho fechou o diário e, visivelmente arrependido, começou a abraçar e a beijar o seu pai.


Sem dúvida uma cena tocante e que emociona quem assiste ao curta-metragem, que destaca uma situação muito comum nas famílias – a falta de paciência dos filhos adultos com seus pais idosos. Talvez os filhos, acostumados, desde a infância, a ver seus pais saudáveis e gozando plenamente de suas faculdades mentais, esquecem-se de que o tempo passa rápido e, com isso, a saúde, a vitalidade e a vivacidade mental deles declinam, paulatinamente, de modo inexorável.


Com o tempo, o esquecimento torna-se mais constante, a repetição de histórias, mais frequente, novas manias surgem e, as já existentes,intensificam-se. A solidão, o sentimento de rejeição e, não raramente, a depressão, são companheiros dos idosos, especialmente daqueles que perderam seus cônjuges.


Em idade mais avançada, eles precisam dos filhos para realização de tarefas básicas do dia a dia, como tomar banho, trocar de roupas, tomar remédios, caminhar, entre outras coisas. Literalmente, voltam a ser crianças. Como você, caro leitor, já foi um dia. A propósito, como seus pais te trataram nessa fase de sua vida? Quantas vezes eles trocaram suas fraldas? Quantas noites passaram, em claro, apreensivos com sua febre ou tentando acalmar seu choro? Em quais situações ficaram mais preocupados do que você pensando na solução de seus problemas? Quais foram as ocasiões em que seus pais tiveram que se abdicar de algo para garantir seu conforto e bem-estar?


Ao chegar o momento em que um pai se torna filho de seu filho, não importa quantas vezes se deve responder a mesma pergunta dele, o importante é tratá-lo com carinho e paciência. Desse modo, a pessoa demonstra gratidão aos seus pais, transmite bom exemplo aos seus filhos e passa a ser merecedora do mesmo tratamento quando chegar à senilidade.


Caso o leitor se interesse em assistir o curta-metragem, segue o endereço na internet: https://www.youtube.com/watch?v=0f2yQ1k4Uvg

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