Carlos Eduardo Maia de Oliveira
Fósseis são restos ou vestígios de animais e plantas pré-históricas que viveram há milhares ou milhões de anos e que se encontram preservados em rochas sedimentares, como os arenitos ou populares “piçarras”. A região de Fernandópolis é rica em fósseis, especialmente, de crocodilos e alguns dinossauros, que já foram objetos de pesquisa científica cujos resultados foram apresentados em congressos nacionais e internacionais, publicados em periódicos científicos internacionais e utilizados em teses de doutorado e dissertações de mestrado defendidos em universidades renomadas como a UNESP (Universidade Estadual Paulista) e a UnB (Universidade de Brasília).
No último dia 13 de junho, mais um trabalho envolvendo fósseis encontrados em Fernandópolis e região foi objeto de pesquisa e publicação em revista científica internacional. A revista científica, na qual o artigo foi publicado foi o “Journalof South American Earth Sciences”.
O Prof. Dr. Carlos Eduardo Maia de Oliveira e colunista do jornal O Extra.net (conhecido como Prof. Cadu, representando o Instituto Federal de São Paulo, Câmpus Votuporanga) participou do grupo responsável pela pesquisa. Os outros pesquisadores são Felipe Mendes S. Cardia, Prof. Dr. Rodrigo MiloniSantucci e José Vicente Elias Bernardi (esses três representando a Universidade de Brasília) e o Prof. Dr. Marco Brandalise de Andrade (da PUC do Rio Grande do Sul).
O artigo científico em questão possui o título em inglês “Mercury concentrations in terrestrial fossil vertebrates from the Bauru Group (Upper Cretaceous), Brazilan dimplications for vertebrate paleontology” (tradução livre: Concentrações de mercúrio em vertebrados fósseis terrestres do Grupo Bauru, Cretáceo Superior, Brasil e implicações para a Paleontologia de Vertebrados).
O trabalho versa sobre a análise da concentração de mercúrio em peças fósseis como osteodermos (aquelas placas que ficam nas costas dos crocodilos e jacarés), dentes, ossos e cascas de ovos do crocodilo pré-histórico da família Baurusuchidae, do qual faz parte a espécie denominada “Baurusuchus pachecoi” (pronuncia-se baurussucus).
A maioria desses exemplares fósseis foi encontrada nas cidades de Fernandópolis e Jales. Também há algumas amostras provenientes dos municípios de Uberaba (MG) e Santa Rita do Passo Quatro (SP). Os fósseis de exemplares adultos do crocodilo apresentaram concentração maior de mercúrio em seus tecidos biomineralizados do que os encontrados nos indivíduos juvenis, revelando um acúmulo desse metal pesado ao longo da vida desses animais pré-históricos.
Também foram encontradas concentrações maiores de mercúrio em dentes e ossos comparadas as encontradas em osteodermos. Destaca-se que o mercúrio, bem como outros metais pesados e muitos agrotóxicos, acumulam-se ao longo das cadeias alimentares. Geralmente, o animal que está no topo da cadeia apresenta maiores concentrações desses elementos em seus tecidos. Para os interessados em conhecer o artigo em questão, segue o link do trabalho na internet: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0895981118301500.
“Apesar de ser do interesse de uma área específica do conhecimento, que é a Paleontologia (Ciência que estuda os fósseis), o presente trabalho ajuda a projetar o nome de Fernandópolis e região na comunidade científica internacional”, destaca o Prof. Dr. Carlos Eduardo Maia de Oliveira.
Pesquisa apresentada na França
Outro trabalho científico, que utilizou fósseis de Fernandópolis e região, foi apresentado no Congresso Internacional de Paleontologia, no dia 10 de julho deste ano, em Paris, capital da França, pelo pesquisador Fábio Antonio de Oliveira, aluno de doutorado da Universidade de Brasília (UnB). Em breve, essa pesquisa também será publicada em uma revista científica internacional.

Professor Cadu e um fóssil representado por um crânio e mandíbula do crocodilo pré-histórico denominado “Baurusuchus pachecoi”. O fóssil, encontrado na região, tem idade estimada em 80 milhões de anos (Foto: Maria Helena de Lima Queiroz)