
Há muitos anos um grupo de bons amigos, todos conhecidos e veteranos frequentadores do famoso Bar Sete, depois de uma animada rodada de umas duas caixas de cervejas e algumas generosas doses de “água que passarinho não bebe”,decidiu marcar uma pescaria lá pelas bandas de Santa Izabel do Marinheiro, no velho e bom rio São João do Marinheiro. Marcaram a pescaria para o dia seguinte, um sábado.
Partiram logo ao amanhecer do dia rumo a um ótimo pesqueiro indicado pelo nosso amigo Nilton Prado, lá da Náutica Fernandópolis, que conhece aquela região melhor que a própria palma da mão. Animados, lá se foram os meninos com um fusquinha “mequetrefe”, lotado de bugigangas e um bom estoque de cachaça “da boa”. Como era verão brabo e fazia um calor de rachar, não hesitaram e decidiram levar um garrafão de pinga de engenho e de reserva, dois litrões de Velho Barreiro.
Pegaram alguns peixinhos, mas na verdade, eles foram mesmo garrafear. Arejar as ideias... Na volta, um deles bebeu no gargalo a última golada, do ultimo litrão de cachaça e ruim de pontaria, arremessou o “casco” da garrafa na estradinha, um pouco adiante do carro. Não foi uma ideia inteligente. Deu zebra é claro.
O carro passou sobre o litrão e furou um dos pneus nos cacos de vidro. Aí a encrenca tava feita. Era preciso trocar o pneu furado pelo estepe. Tentaram uma, duas, dezenas de vezes em não conseguiram. E nem ia dar certo, porque ninguém estava parando em pé. O povo tava bem atrapalhado.
O capataz da fazenda onde pescavam, percebendo a dificuldade dos rapazes, foi lá e trocou o pneu. Animados com a solução do grande problema, fizeram aquela festa. Deram até uma caixinha para o heróico capataz. Se despediram e na hora de partir, o velho fusquinha não saia do lugar. O motorista não conseguia colocar a chave no contato.
Tiveram que dormir no barracão de gado da fazenda. Moral da história: certo estava meu avô que sempre dizia que cachaça e água não combinam, nunca dá certo. “Com a moleira cheia da marvada, na água o barco afunda e na terra o carro engripa!”.