Carlos Eduardo

A força do amor paterno

A força do amor paterno

Carlos Eduardo Maia de Oliveira - Professor e Biólogo

Carlos Eduardo Maia de Oliveira - Professor e Biólogo

Publicada há 7 anos

“Lembre de mim

Hoje eu tenho que partir

Lembre de mim

Se esforce pra sorrir.


Não importa a distância

Nunca vou te esquecer

Cantando a nossa música

O amor só vai crescer


Lembre de mim

Não sei quando vou voltar

Lembre de mim

Se um violão você escutar

Ele com seu triste canto

Te acompanhará

 E até que eu possa te abraçar

Lembre de mim”


(letra da canção “Lembre de mim”, dos compositores Kristen Anderson-Lopez e Robert Lopez, parte integrante da trilha sonora do filme animado Viva – a vida é uma festa, 2018, produzido pelos estúdios Disney-Pixar).


No filme, há uma personagem mexicana representada por uma senhora bem idosa, chamada carinhosamente de mamãe Inês, que padece da solidão provocada por uma doença, que parece ser o Alzheimer. Ela não se comunica com as pessoas, vive cabisbaixa, não se lembra de nada há muito tempo, e não reconhece seus entes mais próximos – sintomas clássicos dessa enfermidade mental. Passa seus dias em uma cadeira de rodas, próxima a uma janela, triste no canto de uma sala. Ninguém consegue tirá-la daquela comovente situação.


Um dia, seu bisneto, chamado Miguel, na criatividade e magia que somente o cinema pode nos proporcionar, vai e volta do além, onde se encontra com uma pessoa muito especial, que lhe confiou duas tarefas: dizer à mamãe Inês que a amava muito e também cantar para ela a canção cuja letra está transcrita neste artigo.


Milagrosamente, ao escutar os primeiros acordes, o semblante de mamãe Inês começou a mudar. Seus lábios se abriram em um largo sorriso e, surpreendendo todos a sua volta, começou a cantar, formando um dueto com seu bisneto, sem se esquecer da letra da composição. No final, Miguel revelou as duas tarefas confiadas a ele por aquela pessoa especial que encontrou do outro lado da vida. A pessoa especial era o pai de mamãe Inês, morto há muitos anos.


Mamãe Inês contou que seu pai era músico quando ainda era uma garotinha, e sempre cantava essa canção para ela. Ao dizer isso, proferiu, carinhosamente, uma das expressões mais bonitas que uma filha pode dizer em sua vida: “meu papai”. Uma cena muito emocionante!


De acordo com uma postagem da médica geriátrica Jéssica Mota nas redes sociais, o filme em questão nos mostrou, nessa cena, como podemos nos reconectar com uma pessoa que padece de uma doença neurodegenerativa em estágio avançado, despertando seus sentimentos mais profundos. Nesse caso, ficou evidente que a força do amor paterno, expressada em uma bela canção, foi capaz de superar, mesmo que momentaneamente, um dos principais e mais cruéis sintomas dessa doença – a perda da memória.


Quando a ligação afetiva entre um filho e seu pai é forte demais, nada nesse mundo enfraquece esse amor. Nem o tempo, nem a morte, nem o esquecimento provocado pelo Alzheimer.


Essa é a minha singela homenagem ao Dia dos Pais.

O leitor que desejar assistir ao “clip” da canção deverá acessar o seguinte endereço na internet: https://www.letras.mus.br/viva-a-vida-uma-festa/lembre-de-mim/#radio:viva-a-vida-uma-festa


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