Conta a Dona Filó, que certa vez o Compadre Geraldo resolveu trocar o velho galo índio por outro que pudesse dar conta das inúmeras galinhas que alegravam o quintal da casa da sede da fazenda.
Ao chegar o novo galo e, percebendo que perderia suas funções, o velho galo índio foi lá ter um “perepepe” com o seu futuro substituto:
- Olha, sei que já estou velho e é por isso que meu dono o trouxe aqui, mas será que você poderia deixar pelo menos duas galinhas para mim?
- Que é isso, velhote?! Vou ficar com todas.
- Mas só duas... - ainda insistiu o galo.
- Não. Já disse! São todas minhas!
- Então vamos fazer o seguinte: - propõe o galo velho - apostamos uma corrida em volta do galinheiro. Se eu ganhar, fico com pelo menos duas galinhas. Se eu perder, são todas suas.
O galo jovem mede o velho galo índio de alto abaixo e pensa que certamente ele não será capaz de vencê-lo na corrida:
- Tudo bem, velhote, eu topo a aposta!
- Já que realmente minhas chances são poucas, deixe-me ficar vinte passos a frente. - pediu o velho galo.
O mais jovem pensou por uns instantes e aceitou as condições do galo índio. Iniciada a corrida, o galo jovem dispara para alcançar o outro. O galo velho com a língua de fora, faz um esforço danado para manter a vantagem, mas rapidamente está sendo alcançado pelo mais jovem.
No momento em que o mais velho ia ser alcançado pelo mais novo, o Compadre Geraldo vendo aquilo, pegou sua espingarda e atirou sem piedade no galo novo.
Guardando a arma ainda fumegante, comentou com a Dona Fíló:
- Filó eu num tô intendendo mais nada, uai! Esse já é o quinto galo “afrescado” que a gente compra esta semana! Será que num tem mais galo macho nesse mundão de Deus?