Movidas pelo medo e pelo ódio inconscientes, as pessoas se encontram, mas não sabem o que, de fato, querem umas das outras. Elas estão buscando algo, mas não sabem o que é. Ignoram que estão procurando uma parte de si mesmas nos outros e se iludem com a ideia de que o outro é a fonte da felicidade.
Quando entramos nesse labirinto da ilusão, onde o outro é nossa tábua de salvação ou nosso algoz, nos perdemos de nós mesmos e por isso nos tornamos cegos das nossas próprias sombras e também da nossa própria luz e só conseguimos enxergar os outros. Instala-se em nós um vício chamado: vitimização. Neste estágio, somos incapazes de amar e, consequentemente, incapazes de sermos amados, visto que nós nos perdemos de nós mesmos. Absorvidos pelo vício da acusação, somos sugados por outros vícios complementares que tornam possível a apresentação de um grande sintoma muito presente na atualidade: a ansiedade.
A ansiedade provém da busca pela aceitação. Buscar ser aceito requer que eu abra mão de um aspecto indispensável para que eu tenha saúde mental: a espontaneidade. Deixo de ser eu mesmo para (tentar) agradar aos outros, me reprimo ou me deixo reprimir, portanto, crio muitas regras daquilo que posso e que não posso fazer, do que é certo e do que é errado (e, estendo essas regras aos outros também). Nesse momento, perco a minha liberdade e, me torno o meu maior pesadelo: o controlador. Caso isso que criei como errado for feito, eu não posso amar quem cometeu o erro e também não poderei mais ser amado. A partir daí, surgem máscaras que usamos o tempo todo para fingirmos ser outra pessoa e, assim, talvez, sermos aceitos.
Após perdermos nossa espontaneidade e, consequentemente, nossa liberdade, nos cobrimos da maior sabotadora de felicidade que existe: a culpa. Essa culpa nos aprisiona e nos afasta ainda mais de nós mesmos e aprimora um comportamento que só fortalece todo este círculo vicioso do sofrimento: a negação. Negamos tanto quem somos que, nem mesmo nós aceitamos isso, por isso, acusamos tanto o outro pela nossa própria escassez.
O ciclo da ilusão estabelece-se da seguinte forma:
Trazer à luz todos esses nossos medos, inseguranças, todas as nossas sombras e traumas, nos possibilita conhecermos a nós mesmos e abre caminho para o círculo virtuoso da autoaceitação e entrega, portanto, nos coloca de volta no caminho do amor. Saímos do espectro da vítima e passamos a confiarmos em nós como criadores de nosso contexto.
Só há amor onde há entrega e aceitação.