
Zé Renato
O incêndio ocorrido domingo no Museu Nacional no Rio de Janeiro, certamente,
comoveu a todos. Todavia, sinto-me no direito de corrigir uma confusão conceitual: os jornalistas diziam, permanentemente, tragédia. Está errado! É um drama.
O termo tragédia, de origem grega, significa um evento que ocorre para além da vontade humana. É um querer dos deuses, do destino, se preferirem. No entanto, as ações causadas pelos humanos são um drama. Aquelas que poderiam ser evitadas.
Esse é o ponto!
O fogo que destruiu o Museu Nacional – não importa se foi um balão, uma tomada, um curto, um fio desencapado, o que for -, tem sua origem e causa num outro problema: o descaso e a burrice.
Falar de corrupção é “bater em bêbado”.
O descaso se deve há décadas de abandono: verbas irrisórias; inexistência de um projeto de permanentes conservação, prevenção e incentivo.
Pode parecer exagero. Os mais afoitos dirão: - Existem outras prioridades! – O país tem mais urgências!
Quais prioridades e urgências são maiores que nossa memória, nossa história e investimento em pesquisas?
Na verdade, aquilo que incendiou e desabou foi um projeto cínico e calhorda de “país”. História, memória, incentivo à pesquisa são questiúnculas que não cabem nos anseios de uma elite corrupta e predatória, de um povo alienado e corrupto.
É mais uma pálida amostra do “projeto de país”, erguido há mais de quinhentos anos.
Faliu!
Caiu de podre.
O discurso canalha e oportunista do ministro da cultura(?), alegando “anos de abandono”, responsabilizando “governos anteriores”, isto é, eximindo-se de qualquer tarefa, cientificamente falando: “tirando da reta”, é uma prova cabal.
A diminuição drástica das insuficientes verbas, são outro índice.
Na segunda-feira, encontrei, prazerosamente, o Vic, dentro de uma agência bancária. Óbvio, rapidamente, conversamos sobre o tema. Externamos nossas tristezas e frustrações acerca do drama ocorrido.
Sabiamente o Vic lembrou-me que na Argentina, por exemplo, isso jamais teria acontecido. Quer dizer, não é coisa de país pobre da América Latina, é atitude de gente burra e desonesta que não se importa o mínimo com as questões já citadas.
Como não haver um aparato de conservação, de prevenção de danos que podem ocorrer?
É criminoso.
Entendam, não estou a falar apenas desse imbecíl que está de presidente. Responsabilizo a todos os antecessores.
O último presidente que visitou o Museu foi Juscelino em 1956.
Dá nojo!
Agora, o proselitismo e a demagogia de sempre: projetos de reconstruções, ações, “investimentos”... Até a fogueira abaixar...E depois? Depois, fo......!
Hoje, terça-feira, enquanto escrevo esse texto, tenho certeza, o evento está esquecido pela maioria do povo.
Volta a também dura e triste realidade, as malditas “propagandas políticas”, os babacas voltam às suas mentiras e falsas promessas, suas caras cínicas e demagogas.
O resto é história, esquecida e sem memória.
Felizmente, para a grande maioria, ainda há Anita e Pablo Vitar.
Que merda.