Carlos Maia de

Os últimos discos do Rei

Os últimos discos do Rei

Por Carlos Eduardo Maia de Oliveira - Professor

Por Carlos Eduardo Maia de Oliveira - Professor

Publicada há 7 anos

No dia 15 de agosto de 1977, ele foi ao dentista por volta de 11 horas da noite, estratégia comum de pessoas famosas que desejam garantir privacidade em certas ocasiões. Durante a madrugada, jogou tênis em sua mansão, tocou algumas canções ao piano e foi dormir às 4 da manhã. No outro dia, às 10 horas da manhã, levantou-se para ler no banheiro. O que ocorreu deste momento até às 14 horas permanece um mistério até hoje, quando Ginger Alden, sua namorada na época, o encontrou morto na banheira de sua casa. Jazia ali o corpo de um dos cantores mais famosos de todos os tempos, o Rei do Rock, Elvis Aaron Presley, vítima de um enfarte agudo do miocárdio, aos 42 anos.


          De acordo com informações de um documentário apresentado pela Home Box Office (HBO), canal de TV por assinatura estadunidense, em 1976, “Elvis tinha uma carreira de sucesso, mas as longas turnês e os excessos destruíram a sua saúde e o isolaram. A gravadora estava preocupada e fez pressão para que gravasse novas músicas na esperança de revitalizar sua carreira, mas o Rei não queria sair de seu castelo, o icônico lar chamado Graceland, que havia se transformado em refúgio. Então a gravadora propôs: se o músico não vem ao estúdio, o estúdio vai ao músico. Em fevereiro de 1976, Elvis e sua equipe se reuniram para gravar em uma sala de Graceland, conhecida como The Jungle Room (a sala selvagem). As gravações foram difíceis, mas conseguiram produzir aqueles que seriam seus últimos discos. Elvis Presley morreu em 16 de agosto de 1977”.


          Nasceu em 1935 de um parto de gêmeos, complicado, no qual seu irmão morreu – já imaginaram dois Elvis? De família pobre, trabalhou como lanterninha de cinema e caminhoneiro. Cantava no coro de uma igreja evangélica na cidade de Memphis, estado do Tennesse.


          Em sua curta, mas inesquecível carreira de sucesso, Elvis Presley apareceu em 31 filmes, gravou 784 músicas e se apresentou em 1.684 shows.

  A crítica especializada o considera um dos maiores cantores populares do século XX. Vendeu mais de 1,5 bilhão de discos durante sua carreira. Tinha uma voz poderosa, com um timbre destacado. Talvez jamais tenha existido um cantor tão eclético ritmicamente!


  Porém, por trás do mito, havia um homem altamente complexo em sua vida pessoal, de temperamento difícil, cujo humor oscilava, facilmente, de uma pessoa alegre, simpática e falante para carrancuda, triste e mal humorada. Segundo seus amigos mais próximos, Elvis era hipocondríaco – viciado em medicamentos. Certa vez, relatou que tinha a impressão que não alcançaria os 50 anos de vida, pois muitos de seus familiares tinham falecido antes de completar essa idade. Declaração profética!


  Há vários casos de grandes estrelas do “show business” que alcançam o sucesso e se transformam em verdadeiros mitos, cuja fama transcende a condição humana, eternizando-as no tempo. Porém, diante dessa veneração, sempre acompanhada de prestígio, poder e muito dinheiro, a pessoa não consegue lidar com a situação e se desvirtua na vida, desenvolvendo hábitos bizarros, vícios em drogas e outros desajustes sociais. O desfecho da história, infelizmente, é a ruína pessoal ou a morte prematura.


  A morte precoce de um grande ídolo aumenta a dramaticidade de sua história, causando comoção popular e estimulando a veneração à sua imagem. No caso de Presley, o slogan “Elvis não morreu” ficou bem conhecido, retratando o inconformismo dos fãs, e o cantor talvez tenha o maior número de covers no mundo. Não por acaso a venda de seus discos disparou nos cinco dias subsequentes à sua morte – 8 milhões de cópias. No entanto, não deixa de ser mau exemplo para a juventude o fato de ídolos não saberem lidar bem com sua vida pessoal.


  Lembremos de Elvis Presley apreciando suas belas canções e torçamos para que surjam mais pessoas com dons artísticos especiais que tornam a vida mais suave, criativa e interessante. Se for um cantor, que seus últimos discos e canções sejam compostos em um contexto pessoal favorável e exemplar.

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