LAPSO AO SISTEM

Eleitores ‘apagam da memória’ votos das últimas eleições

Eleitores ‘apagam da memória’ votos das últimas eleições

Boa parte dos entrevistados pela reportagem está esquecida, com a cabeça distante dos representantes do povo

Boa parte dos entrevistados pela reportagem está esquecida, com a cabeça distante dos representantes do povo

Publicada há 7 anos

Reportagem buscou problematizar a questão da “memória do voto”, que fragiliza o sistema representativo, uma vez que o eleitor se vê distante de tudo relacionado à política



Breno Guarnieri


O eleitor anda com a memória curta quando o tema são os candidatos votados nas últimas eleições. Apesar do atual cenário “político efervescente”, muitos sequer se lembram em quem votaram para senador, deputado estadual e federal. Algumas exceções ficam por conta de cargos como de presidente e governador. Dos eleitores fernandopolenses entrevistados pela reportagem, boa parte está esquecida.


“Não faço nem ideia. Sério mesmo”, assume o pedreiro Rafael de Almeida, de 28 anos, ao reconhecer que “apagou da memória” o nome dos candidatos que votou nas últimas eleições gerais. Assim como ele, boa parte dos entrevistados (13 não lembram e 2 lembram) não tem qualquer lembrança do voto para deputado federal e estadual. 


“Eu somente lembro meu voto para presidente. Agora para governador, senador, deputado federal e estadual eu não lembro mesmo. É comum não lembrarmos em razão da política desacreditada que vivemos”, destaca Eduardo Marangoni, 33 anos, formado em Jornalismo. 


O vendedor Carlos Manoel, de 29, pesquisou por quase dois meses para definir seus candidatos. Apesar do esforço, ele não consegue se lembrar dos escolhidos. “Falta mais formação política para a sociedade”, opina. A dona de casa Marli Siqueira Pereira, de 49, só se recorda que seguiu uma indicação do cunhado. “Ele pediu voto para dois candidatos. Eu ia votar nulo”, diz Marli, desacreditada na política.


SEM PRAZER DE VOTAR

Embora o nome do deputado federal que ajudou a eleger esteja na ponta da língua, o autônomo Paulo Oliveira, de 56, não consegue se lembrar em quem votou para deputado estadual. Oliveira atribui o lapso ao sistema político em razão do voto no Brasil ser obrigatório. “As pessoas vão sem prazer. Se fosse algo espontâneo, o eleitor ia procurar mais”,diz.


MINORIA

Apesar de serem minoria entre os entrevistados, dois eleitores não deixaram a memória falhar. “Eu lembro sempre em quem votei.Encaro isso como um dever de cidadão”, destaca o motorista Pedro Ruiz, de 38. Sempre interessada em política, a arquiteta Camila Novaes, de 26, se mostra eleitora atenta. “Acompanho os políticos pelas redes sociais e pelo noticiário. Não estou satisfeita em quem votei nas últimas eleições e, neste ano, vou analisar melhor os candidatos”, conclui. 

últimas