EDUCAÇÃO
Ministro da Educação confirma suspensão de Fies na Universidade Brasil
Ministro da Educação confirma suspensão de Fies na Universidade Brasil
Baque vai além da sala de aula e reflexos que extrapolam os muros da universidade, atingindo alunos e a economia local
Baque vai além da sala de aula e reflexos que extrapolam os muros da universidade, atingindo alunos e a economia local

É um golpe considerável — e com múltiplas camadas — a decisão do Ministério da Educação (MEC) de suspender, a partir deste ano, os processos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) para dezenas de instituições de ensino superior, entre elas a Universidade Brasil (UB), unidade de Fernandópolis.
O impacto não se limita à instituição, que tentava retomar sua credibilidade após o desgaste provocado pela Operação Vagatomia. A medida atinge diretamente estudantes, compromete planos acadêmicos e, inevitavelmente, reverbera na economia local, historicamente dependente da presença universitária — especialmente de cursos de alto custo, como Medicina.
A suspensão foi confirmada nesta semana pelo ministro da Educação, Camilo Santana, e tem como base o desempenho insatisfatório da UB no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), no qual a instituição recebeu notas 1 e 2.
No total, 106 cursos, de um universo de 351 avaliados, sofreram sanções semelhantes. Além da suspensão do Fies, também ficam impedidos de ampliar vagas até nova avaliação.
“Não é justo. Muitas vezes uma universidade privada cobra R$ 12 mil ou R$ 15 mil e não tem qualidade de oferta no curso. Esses cursos terão um prazo; estão suspensas as ampliações de vagas e terão até o próximo Enade, em outubro, para corrigir e melhorar a qualidade da avaliação”, afirmou o ministro Camilo Santana.
O recado do MEC é claro: financiamento público não sustentará cursos considerados deficitários sob critérios oficiais de qualidade.
A Coluna tentou levantar, por vias oficiais, quantos estudantes da Universidade Brasil serão diretamente afetados, bem como o impacto financeiro da suspensão do Fies e se há alguma estratégia institucional para mitigar as perdas.
O resultado? Dados desencontrados, informações difusas e versões conflitantes. Diante disso, optamos por não publicar estimativas que poderiam distorcer a realidade — um silêncio que, por si só, já diz bastante.
Procurada, a Direção da Universidade Brasil informou que, após análises internas das regras do Enamed, protocolou formalmente junto ao MEC um pedido de esclarecimentos e revisão da nota atribuída ao curso de Medicina.
Segundo a instituição, foram solicitados ao MEC e ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP):
A UB ressalta ainda que:
A instituição afirma manter investimentos contínuos em:
Por fim, a Universidade Brasil reafirma seu compromisso com a transparência, a qualidade da formação médica e o cumprimento das normas educacionais.
Enquanto MEC e universidade ajustam discursos e recursos administrativos, o tempo corre contra os estudantes, contra o planejamento financeiro da instituição e contra uma cidade que, goste-se ou não, depende do ensino superior como vetor econômico.
Mais do que uma sanção administrativa, o episódio expõe uma pergunta incômoda:
Quem paga a conta enquanto a disputa técnica não se resolve?
Quer relembrar o caso? Clique aqui!
Por: Beto Iquegami
O texto é de livre manifestação do signatário que apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados e não reflete, necessariamente, a opinião do 'O Extra.net'.