OPINIÃO

Curso de Medicina da Universidade Brasil, em Fernandópolis, recebe a pior nota no Enamed

Curso de Medicina da Universidade Brasil, em Fernandópolis, recebe a pior nota no Enamed

Cursos com notas 1 e 2 sofrerão restrições de vagas e suspensão do Fies

Cursos com notas 1 e 2 sofrerão restrições de vagas e suspensão do Fies

Publicada há 2 horas

A divulgação dos resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) ocorrida há pouco trouxe à tona um dado que preocupa não apenas o meio acadêmico, mas também gestores públicos e a própria população: o curso de Medicina da Universidade Brasil (UB), em Fernandópolis, recebeu conceito 1, a nota mínima do exame, figurando entre os piores desempenhos do país.

O resultado coloca a instituição no grupo de cursos considerados insatisfatórios pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e sujeitos a sanções severas, incluindo suspensão do ingresso de novos alunos, além de restrições ao Fies e a outros programas federais.

Expansão acelerada, qualidade em xeque

O Enamed avaliou 351 cursos de Medicina em todo o Brasil. Desse total, 107 ficaram nas faixas 1 e 2, índice que representa quase 30% dos cursos avaliados. O dado reforça uma crítica recorrente nos bastidores do Ministério da Educação: a rápida expansão de faculdades de Medicina, sobretudo no setor privado, sem a correspondente garantia de qualidade na formação.

No caso específico da Universidade Brasil, o conceito 1 indica desempenho considerado insuficiente até mesmo nos parâmetros mínimos estabelecidos pelo MEC, o que acende um alerta para o futuro imediato do curso e para os estudantes que já estão em formação.

Impacto direto na formação e no mercado

Dos cerca de 39 mil alunos concluintes que participaram do exame, apenas 67% alcançaram desempenho classificado como proficiente. Os demais, aproximadamente 13 mil futuros médicos, não demonstraram conhecimento suficiente na avaliação nacional.

Na prática, isso levanta uma questão sensível: quem está chegando ao mercado de trabalho para atender a população brasileira? O próprio MEC reconhece que o exame não é apenas avaliativo, mas um instrumento de proteção social, ao tentar impedir que cursos mal estruturados continuem formando profissionais sem a base necessária.

Penalidades e efeito dominó

Cursos com conceito 1, como o da Universidade Brasil em Fernandópolis, estão sujeitos à suspensão total de novos ingressos, além do bloqueio ao acesso a programas federais de financiamento estudantil.

No pacote geral de punições anunciado pelo MEC:

  • Cursos terão vagas reduzidas ou congeladas;
  • Instituições perderão acesso ao Fies;
  • Casos mais graves terão ingresso totalmente suspenso.

O ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou que as faculdades terão prazo para apresentar defesa, mas foi enfático ao destacar que a prioridade é a qualidade do ensino médico, não a quantidade de vagas.

Fonte: MEC

Bastidores e resistência

Antes mesmo da divulgação oficial dos resultados, uma entidade que representa universidades privadas tentou barrar judicialmente a publicação dos dados, numa movimentação que, nos bastidores, foi interpretada como tentativa de evitar desgaste público. A ação, no entanto, foi derrubada pela Justiça.

O episódio evidencia a tensão entre interesses econômicos e responsabilidade educacional, sobretudo em cursos que impactam diretamente a saúde pública.

O alerta que fica

O desempenho da Universidade Brasil no Enamed não é um caso isolado, mas se torna simbólico por ocorrer em uma cidade do interior que abriga um curso de Medicina relativamente recente e que, até então, vendia a promessa de desenvolvimento regional.

O recado do Enamed é claro: expandir sem qualidade tem custo — e ele recai sobre a sociedade.

Por: Beto Iquegami - beto@oextra.net

O texto é de livre manifestação do signatário que apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados e não reflete, necessariamente, a opinião do 'O Extra.net'.

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