ADVOGADO DETIDO

Preso último“cabeça”de quadrilha que fraudava vestibulares de Medicina

Prisão ocorreu em cumprimento a mandado expedido pela 2ª Vara Criminal de Fernandópolis em junho de 2015

Prisão ocorreu em cumprimento a mandado expedido pela 2ª Vara Criminal de Fernandópolis em junho de 2015

Publicada há 10 anos

Preso último“cabeça”de quadrilha que fraudava vestibulares de Medicina

F.A.C. no Plantão Policial de Caconde, onde foi preso pela PM



Por João Leonel


Com o título “Unicastelo e Vunesp denunciam tentativa de fraude no vestibular de Medicina”, matéria publicada no dia 8 de novembro de 2014, na edição de nº 2430 deste “O Extra.net”, trazia informações sobre o ‘modus operandi’ de uma quadrilha especializada em fraudar processos seletivos, principalmente em certames que garantem vagas em Faculdades de Medicina de todo o Brasil. 


Desde 30 de outubro de 2014, a Seccional de Polícia de Fernandópolis, através da DIG - Delegacia de Investigações Gerais, estava no encalço desta quadrilha. Em junho de 2015, quatro prisões preventivas foram expedidas pelo juiz da 2ª Vara Criminal de Fernandópolis, Vinícius Castrequini Bufullin, e, enfim, a DIG chegava aos “cabeças” do grupo criminoso, mas um deles conseguiu fugir. Os policiais civis de Fernandópolis prenderam na cidade de Itápolis/SP, o cirurgião dentista J.P.M.S., de 56 anos, e o comerciante C.E.V., 46 anos. 


Na cidade de Goiânia, a DIG efetuou a prisão de S.E.P.S., de 50 anos, também identificado como comerciante. Na casa dos três indiciados foram apreendidos diversos documentos, duas CPUs, celulares e uma carteira de bolso que camuflava um dispositivo eletrônico, o qual se sintonizava a um ponto eletrônico, também apreendido. Os três ficaram presos na Cadeia Pública de Guarani d’Oeste e foram enquadrados na Lei nº 12850/2013, que trata de “Crime Organizado”.


O ÚLTIMO “CABEÇA”


Já o advogado F.A.C., de 70 anos, com várias passagens pela Polícia pelo mesmo crime, não foi localizado em sua casa, na cidade de Caconde/SP, e estava foragido desde então. Mas nesta semana, sua vez chegou. Durante uma abordagem da Polícia Militar, F.A.C. foi identificado como “foragido” e acabou detido no Centro de Caconde. Não está descartada sua transferência para a Cadeia de Guarani d’Oeste. Esta prisão tirou das ruas o último “cabeça” do esquema desbancado pela Polícia Civil de Fernandópolis. A pena dos pretensos “futuros médicos”, que compraram suas vagas, varia de 1 a 3 anos de prisão, sendo que ainda respondem por crime de fraudes em certames de interesse público (art. 311-A do Código Penal Brasileiro). Já a pena prevista para os “cabeças” da quadrilha pode ser de 3 a 8 anos.


Preso último“cabeça”de quadrilha que fraudava vestibulares de Medicina

CPU, agenda, documentos e equipamentos utilizados pela quadrilha, inclusive um “ponto eletrônico”, apreendidos pela DIG de Fernandópolis em junho do ano passado nas residêncidas de 3 presos, em Itápolis e Goiânia.



AS INVESTIGAÇÕES


Em 2014, o delegado Gerson Donizete Piva, então titular da Delegacia de Investigações Gerais de Fernandópolis, confirmou que uma quadrilha especializada no crime de “fraude em vestibular” estava em ação. “Sete pessoas, que costumeiramente vêm se inscrevendo e realizando vestibulares para Medicina, foram identificados na lista dos vestibulandos que concorrem por uma vaga para a faculdade de Medicina da Unicastelo de Fernandópolis”, disse. 


Dois irmãos foram abordados e flagrados com diversos celulares, eles portavam alguns aparelhos telefônicos e outros foram encontrados no carro que utilizavam. Nenhuma mensagem com conteúdo sobre respostas de testes ou relacionada à prova foram encontradas, mas os aparelhos foram apreendidos e passaram por perícia, pois alguns códigos, que podem estar relacionados ao gabarito, foram encontrados. Logo em seguida, mais um rapaz, ainda numa das salas onde a prova estava sendo aplicada, foi detido pela Polícia. 


Preso último“cabeça”de quadrilha que fraudava vestibulares de Medicina


Ele portava, contra as orientações dos responsáveis pela avaliação, um celular, e acabou revelando que havia contratado um ‘serviço’ para sua aprovação no vestibular. O valor total pela vaga teria sido combinado em R$ 45 mil, sendo que havia pago adiantado R$ 10 mil. Estas pessoas que se especializam em fraudar vestibulares, chamadas de “pilotos”, sempre saem com os gabaritos uma hora antes do término da prova. Utilizam celulares ou pontos eletrônicos para passarem as respostas corretas aos “contratantes” destes serviços. 


Deixam vestígios de suas fraudes, como a sucessiva inscrição em vestibulares, identificada pela Vunesp em Fernandópolis, e chegam a “gabaritar” os resultados em algumas áreas, por exemplo, exatas ou biológicas, e “erram apenas algumas” em humanas, tentando “não chamar a atenção”.


Preso último“cabeça”de quadrilha que fraudava vestibulares de Medicina

últimas