
Lá nos anos sessenta o velho Mato Grosso antes da divisão do estado,sempre foi uma terra muito estranha e cheia de mistérios. Está certo que muita coisa do que dizem, não passa de lenda, o povo estica um cadinho as estórias, cada um que conta um conto aumenta um ponto, mas que tem uns troços meios esquisitos, isso tem mesmo. Que o diga o nosso estimado Compadre Geraldo de Melo.
Dia desses trombei com o compadre e a dona Filó lá no Shopping. De novo a Dona Filó, com sua sabedoria mineira, veio fazer umas comprinhas antecipadas, prá evitar como ela diz, “os atropelos do povaréu quando vai chegando a época de Natal. O povo perde o juízo, fica todo mundo endoidecido , parecendo boiada desembestada!”.
Enquanto ela se divertia vendo vitrines e comprando brinquedos, roupas, lembrancinhas e presentinhos pra netaiada, o Compadre tomava um chopinho prá tirar a poeira da goela. E aí, como sempre acontece, aproveitamos pra prosear um pouco e colocar a conversa em dia. Então, senta que lá vem história.
Dessa vez, ao invés de suas famosas e perigosas caçadas de onça, meio que ressabiado, olhando pros lados, o Compadre me contou de uns vizinhos esquisitões, mas podres de ricos, que mudaram no começo do ano, para perto de suas terras. Dizia ele, que a família era grande. O velho, igual a ele até que era de pouca prosa, mas a velha matrona era um poço de vaidade.
Segundo o Compadre Geraldo, a tal velha vivia perguntando se seus genros gostavam dela, até que um certo dia, ela decidiu testar se eles gostavam mesmo: resolveu que sairia para um passeio com cada um deles. E aí o Compadre contou:
- Imagina só compadre Chico, a velha começou a coisa levando o marido da filha mais velha, para uma grande lagoa que fica bem na divida das nossas fazendas, e de repente, a doida se atirou dentro do açudão. Rápido que nem um corisco, o genro mergulhou no lago e salvou a sogra!.
- Aí Compadre Chico, no dia seguinte, bem cedinho na garagem da casa do genro herói, havia um belo Ford Fiesta zerinho, e um bilhete escrito à mão grudado no retrovisor: "Da sua sogra que te ama". A véia é doida mesmo!
- Repetiu o mesmo procedimento com o genro da filha do meio, que tambémarriscou a pele massalvou a caninana de se afogar. No dia seguinte, o genro encontrou na sua garagem uma EcoSport tinindo de novinha, e no retrovisor havia um bilhete: "Da sua sogra que te ama, muiiito".
- Duas semanas depois ela voltou na lagoa com o marido da filha caçula, e igual das outras vezes, se atirou na água e lá ficou gritando por socorro... e ele ficou olhando a velha afundando e dando pulos de alegria, A sogra, que não sabia nadar, dessa vez foi pro beleléu com o bucho cheio de água!.
- Pois não é que no dia seguinte, bem cedinho, havia uma picape F 250 cabine duplazerinho na garagem da casa do rapaz?
- Uai Compadre, se a velha bateu as botas, como pode uma coisa dessas?
- Ara, Compadre Chico... igual das outras vezes, tinha também um bilhete no retrovisor. E tava lá escrito o seguinte: "Do seu sogrinho que te ama demais da conta!".