Nos braços da pessoa amada, sentindo o amor pulsar em seu peito, a vida assume sentido.
Na turbulência de pensamentos e na tristeza de um homem deprimido, não.
Pegar uma criança no colo e brincar com ela, sim.
Perde-se o sentido da vida ao tornar-se escravo do trabalho, inimigo do tempo, ficar cego pela ganância e preocupado em acumular capital.
Não pensamos em nada, muito menos no sentido da vida ao estarmos em um lugar em contato direto com a natureza, apreciando o silêncio do ambiente e sentindo a brisa tocar o rosto.
Ao deixar de viajar, privar-se do seu prato predileto de comida sem necessidade, viciar-se em drogas, isolar-se das pessoas, perder o contato com os amigos, a vida se torna cinzenta e não há o que falar em sentido.
Nossa memória afetiva é reavivada ao lembrarmos da comida preparada por nossas avós e ouvir as histórias da família e dos tempos antigos. Em momentos assim, apenas sentimos o lado bom e doce de nossa vivência, sem refletir sobre o seu sentido.
Procurar o sentido da vida não faz muito sentido (desculpem-me pelo trocadilho), talvez seja perda de tempo, pois ela existe para ser vivida, sentida. Sentir a vida não é algo racional, como quem resolve uma equação matemática, mas cordial, sentido pelo coração, como quem compõe um poema.
Parem de se preocupar com isso! Apenas aproveitem os bons momentos, desacelerem, sintam o ambiente ao redor, deem valor as coisas simples, singelas, e não se esqueçam de desligar o botão do consumismo. Esse último conselho me fez lembrar das palavras do grande Mujica (ex-presidente do Uruguai): “Quando compramos algo, não pagamos com dinheiro. Pagamos com o tempo de vida que tivemos que gastar para ter aquele dinheiro”.
Ao invés de procurarem o sentido dessa vida, comecem a detectar e a evitar aquilo que não faz sentido nessa existência, pois se existe algum sentido nela, não sei exatamente, mas tenho certeza – ela é curta, bem curta. Pensem nisso!