Da Redação

Bispo dom T.F.S.
O Vaticano investiga o bispo dom T.F.S., que administra a diocese de São José do Rio Preto, que teria sido omisso em casos de pedofilia envolvendo padres e também trocado mensagens de teor sexual com um jovem. O processo, aberto em agosto com a visita de dom J.N., enviado pelo papa Francisco à diocese do interior paulista, ainda não foi concluído.
Segundo apurou a reportagem, o bispo tenta renunciar ao cargo e pleiteia uma aposentadoria. Uma denúncia foi feita por um jovem e encaminhada ao Vaticano. O documento reúne reproduções de conversas pelo WhatsApp com o sacerdote. Na ocasião, o bispo pede para ver partes íntimas do jovem. Em setembro, dom T.F.S. renunciou a dois cargos. No dia 21, ele deixou a função de coordenador regional da Arquidiocese de Ribeirão Preto, vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e, uma semana depois, pediu seu desligamento como moderador do Tribunal Eclesiástico Interdiocesano, que atende as cidades paulistas de São José do Rio Preto, Catanduva, Jales e Votuporanga.
Essa não é a primeira vez que o bispo é investigado por ordem do papa. Em 2015, o arcebispo de São Paulo, dom O.S. foi enviado à região e após apuração interna inocentou dom T.F.S. das acusações de ter um relacionamento amoroso com seu ex-motorista e de desvios de dinheiro da diocese.
DEPOIMENTOS
Dom J.N. desembarcou em Rio Preto no dia 13 de agosto e colheu depoimentos de aproximadamente 90 membros da diocese: 70 padres e 20 seminaristas. Todos foram ouvidos no prédio do seminário e, logo no início, foram obrigados a colocar a mão direita sobre a Bíblia e fazer juramento de dizer somente a verdade e manter sigilo.
DENÚNCIA
Segundo a Polícia Civil, a denúncia partiu da mãe do jovem, de 17 anos. A mãe passou a desconfiar da frequente presença do filho na casa de um padre, em um condomínio de luxo na zona rural de Guapiaçu. Ao cumprir o mandado de busca expedido pela Vara da Infância de Juventude de Rio Preto, policiais apreenderam o celular do padre com material pornográfico e ainda preservativos e gel lubrificante. O sacerdote pagou fiança de R$ 3.000 e responde ao crime de pedofilia em liberdade.
A gestão de dom T.F.S. frente à diocese de Rio Preto começou no final de 2012. Além das suspeitas sobre crimes sexuais, o bispo é acusado pelos padres de assédio moral. No mês passado, a Justiça do Trabalho condenou o bispado de Rio Preto a indenizar uma ex-funcionária, no valor de R$ 150 mil. Auxiliar de serviços gerais por 13 anos, ela comprovou que trabalhou das 7h30 às 17h30 sem intervalo e, diante do esforço excessivo, sofreu uma tendinopatia. A funcionária foi afastada pelo auxílio-doença.
A juíza Adriana Fonseca Perin entendeu que o bispado nada fez pela funcionária, mesmo ciente do seu estado de saúde, e aplicou uma indenização por danos morais de R$ 30 mil, além de outros R$ 5.000 para reparo por danos estéticos.