PREJUÍZO

Governo de São Paulo perde R$ 1,5 bilhão só com a venda ilegal de cigarros

Estado registra crescimento do contrabando deste produto, que já alcança 54% do total do mercado

Estado registra crescimento do contrabando deste produto, que já alcança 54% do total do mercado

Publicada há 7 anos

Governo de São Paulo perde R$ 1,5 bilhão só com a venda ilegal de cigarros


Os cigarros ilegais atingiram um patamar alarmante em 2018. De acordo com um levantamento feito pelo Ibope cerca de 54% de todos cigarros que circulam em São Paulo são contrabandeados, vindos do Paraguai. Esse volume equivale a cerca de R$ 1,5 bilhão que os cofres públicos do estado deixaram de arrecadar em ICMS.

A pesquisa indica também que, pela primeira vez desde 2011, a evasão de impostos no país que deixam de ser recolhidos em função do mercado ilegal de cigarros (R$ 11,5 bilhões) será maior do que a arrecadação (R$ 11,4 bilhões). O valor que deixa de ser arrecadado é 1,6 vez superior ao orçamento da Polícia Federal para o ano, e poderia ser revertido para a construção de 121 mil casas populares ou 6 mil creches.


De 2015 a 2018, o mercado ilegal deste produto no Estado cresceu 39% em volume – atingindo 18,8 bilhões de unidades de cigarros - e 13 pontos percentuais em participação de mercado. De acordo com estimativas da indústria, 46% do aumento do mercado ilegal de cigarros, entre 2014 e 2017, concentraram-se em 10 municípios: São Paulo, Campinas, Ribeirão Preto, São José dos Campos, Guarulhos, Santo André, Sorocaba, Santos, Piracicaba e Osasco.


Somente na grande São Paulo, segundo estudo da Nielsen, 49% dos estabelecimentos que vendem cigarros também comercializam o produto contrabandeado, ou seja, cerca de 24 milbares, padarias, mercados e bancas de jornal – além dos ambulantes.


Dominado por quadrilhas de criminosos, o contrabando de cigarros é fonte de financiamento para outros crimes como o tráfico de drogas, armas e munições. Em 2018, as duas marcas mais vendidas no país são contrabandeadas do Paraguai: Eight, campeã de vendas com 15% de participação de mercado, e Gift, com 12%. Outras duas marcas fabricadas no país vizinho compõe a lista dos 10 cigarros mais vendidos: Classic e San Marino (ambas com 3% de mercado). A marca contrabandeada mais popular em São Paulo é a Eight, que com 36% de market share é a mais vendida, à frente de todas as marcas produzidas legalmente no Brasil.


A pesquisa ainda aponta que, considerando todo o país, o mercado ilegal de cigarros atingiu um patamar inédito. Em 2018, de acordo com levantamento do instituto, 54% de todos os cigarros vendidos no país são ilegais, um crescimento de seis pontos percentuais em relação ao ano anterior. Desse total, 50% foram contrabandeados do Paraguai e 5% foram produzidos por empresas que operam irregularmente no país.


O principal estímulo a esse crescimento é a enorme diferença tributária sobre o cigarro praticada nos dois países. O Brasil cobra em média 71% de impostos sobre o cigarro produzido legalmente no país, chegando a até 90% em alguns estados, enquanto que no Paraguai as taxas são de apenas 18%, a mais baixa da América Latina.

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