INCLUSÃO

Os desafios do Autismo

O Autismo é uma condição geral para um grupo de desordens complexas do desenvolvimento do cérebro, antes, durante ou logo após o nascimento

O Autismo é uma condição geral para um grupo de desordens complexas do desenvolvimento do cérebro, antes, durante ou logo após o nascimento

Publicada há 7 anos

Brenda Cardoso


O Transtorno do Espectro Autista (TEA), mais conhecido como Autismo, são transtornos que causam problemas no desenvolvimento da linguagem, nos processos de comunicação, interação e no comportamento social da criança.

Esse transtorno não possui cura e suas causas ainda são incertas, contudo, ele pode ser trabalhado, reabilitado, e tratado para que, assim, o paciente possa se adequar ao convívio social e às atividades acadêmicas. Quanto antes o Autismo for diagnosticado melhor, pois o transtorno não atinge apenas a saúde da criança, mas também de seus cuidadores, que, em muitos casos, acabam se sentindo incapazes de encararem a situação.

Normalmente, crianças entre 2 e 3 meses já observam os rostos próximos, estão atentas à vozes e sorriem. Na questão do autismo, essas ações não acontecem e por volta de 8 a 10 meses, essas crianças começam a apresentar alguns sintomas, como a falta de resposta quando chamadas e também do interesse com as pessoas ao seu redor. Além disso, muitas crianças autistas possuem dificuldade em participar de brincadeiras que envolvam um grupo, preferindo brincarem sozinhas. Também podem ter dificuldade em interpretar gestos e expressões faciais do outro, o que faz com que o mundo seja um lugar instável para eles.

 Em um desenvolvimento normal de uma criança, a aprendizagem das línguas começa desde muito cedo. Um dos primeiros meios de comunicação de um bebê é a fala balbuciada e com o tempo, ele já afirma uma ou duas palavras. Em contrapartida, algumas crianças com Autismo tendem a não balbuciar, falar e também não aprendem a se comunicar com gestos. Outras, por sua vez, possuem atrasos de linguagem e começam a falar apenas alguns anos depois do que seria o normal. Quando a linguagem começa a se desenvolver, a criança autista pode utilizar a sua voz de forma estranha, ter dificuldade em combinar palavras em frases que possuam sentido ou, ainda, repetir a mesma frase várias vezes.

Comportamentos repetitivos incomuns ou tendência a se envolver em apenas algumas atividades são outros sintomas característicos do Autismo. Dentre os comportamentos, encontram-se ações como mãos batendo, balançar de corpo, reorganização de objetos e repetição de sons e palavras.

Já quanto a característica das atividades restritas, ela pode ser identificada, por exemplo, quando uma criança faz uma fila de brinquedos de uma maneira muito específica ao invés de brincar com eles, mas, quando a atividade sai da rota que a criança estipulou, ela se estressa. As crianças também tem dificuldade em trocar de atividade, problemas de organização e planejamento são empecilhos a sua independência.

Não há nenhum exame específico para que o diagnóstico seja confirmado. Como o Autismo é um transtorno que afeta a linguagem e a interação social, a criança que o possui precisa ser analisada por um grupo de pessoas e profissionais que convivem com ela. Porém, há diversas maneiras para se tratar as funções de aprendizagem e funcionais da criança desde o momento em que foi diagnosticada. Para isso, uma equipe multidisciplinar é importante, pois cada especialista irá trabalhar em um tipo de desenvolvimento, não existe uma regra específica de tratamento, pois cada criança possui as suas particularidades. Portanto, a equipe multidisciplinar decidirá qual o tipo de tratamento que deve ser abordado.

 Fabio Araújo, 8 anos, é um autista de nível 1, o mais leve, crianças desse nível costumam ter dificuldades e pouco interesse para iniciarem uma interação social com outras pessoas. O garotinho morava em Rondônia com sua mãe e sua irmã, e por motivos familiares resolveram mudar para o interior de São Paulo, Mira Estrela-SP. Renata Araújo mãe do menino, conta que Fabio foi um bebe tranquilo, não deu trabalho nenhum. Aos 2 anos de idade ela percebia que ele era muito imperativo, gostava de fazer muita bagunça, a mãe lembra que o filho passava por ela diversas vezes brincando e ela tentava chamar sua atenção porém não era correspondida, Renata lembra também que quando alguma criança ou alguém diferente chegava em casa ele se isolava, e por desconhecer o transtorno ela achava normal. 


Foi quando o Fabio entrou na escolinha, e a diretora, os professores começaram a desconfiar e comunicou a mãe que ele seria encaminhado para fazer uma avaliação no Centro do Autismo, ''Lá recebi um papel com 20 característica do autismo e o Fabio se encaixava em 17 e como não existe um exame que comprove o transtorno, eu o levei no neurologista e ele me deu um laudo pra ele poder passar no Centro do Autismo, a fazer um tratamento com um fonoaudiólogo, e ele começou a se desenvolver e graças a Deus ele se adaptou super bem, começou a interagir com as crianças com os professores, porém, no limite dele''.


 A mãe ainda conta que quando descobriu o transtorno foi muito difícil aceitar, e ainda ressalta que seus pais não aceitam até hoje e acha que ele não tem nada. Apesar das adversidades   Renata se mantém forte ao tratamento do filho. Renata relembra o momento mais difícil, e diz que foi a mudança de cidade, pois onde eles residiam o menino já conhecia tudo, e essa mudança repentina o afetou, no entanto, ele se adaptou bem com a nova professora, com a nova casa, e é um menino persistente.


Em caso de Autismo, um acompanhamento feito por uma equipe multidisciplinar é fundamental. Todas as segundas-feiras, Fabio tem encontro marcado com a terapeuta ocupacional, Andreia Teixeira. '' Eu trabalho com ele formas geométricas, cores, regras, limites, coordenação motora, e isso a gente faz dentro do limite dele. 


No caso o Fabio agora, estamos focados na questão dele bater, porque quando ele não consegue uma coisa ele quer bater, e ele acha que isso é uma forma dele conseguir, mas agora ele já sabe que não pode bater .Quando isso acontece ele volta e pede desculpas, mas eu adoro trabalhar com o Fabio, ele super interage, como ele é um autista de nível leve dá pra trabalhar bastante", explica a terapeuta.


Os autistas também são alvos de preconceito. A mãe de Fabio aponta a desinformação como um dos maiores problemas.'' Poderia ser abordada mais matérias sobre o transtorno,pois isso não é um bicho de sete cabeças, o preconceito não vem das crianças, mas dos adultos, talvez por não conhecerem o autismo. Na verdade eles são como nós, nós somos diferentes um dos outros, e não cabe julgamento a ninguém, falta compaixão com o próximo'', desabafa


Ao contrário do que muitas pessoas pensam, crianças e adultos autistas podem fazer contato visual com outras pessoas, além de demonstrarem afeto ao sorrir/rir e diversas outras emoções. Algumas, ainda, conseguem manter um emprego de forma responsável, mantém uma relação estável com outras pessoas, casam-se e criam filhos. Mas, mesmo nesses casos, não se pode falar em cura, pois embora o desenvolvimento seja excelente, as características autistas permanecem por toda a vida.

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