
Acusado no momento em que conta aos policiais como teria matado o delegado
Breno Guarnieri
A Polícia Civil investigará se existe outra pessoa envolvida na morte do delegado Guerino Solfa Neto às margens da Rodovia Washington Luís (SP-310), em Rio Preto, na noite do último sábado (25). O único acusado até agora, o detento A.S.O.C., 26 anos, foi preso nesta terça-feira (28), em São Paulo. “Trabalhamos com essa hipótese sim, vamos ver o andamento da investigação. Difícil um homem sozinho fazer o que fez com o Guerino, que era um delegado preparado”, afirmou o delegado Raymundo Cortizo, do Deinter-5.
A.S., que estava de saída temporária do Centro de Progressão Penitenciária (CPP) de Rio Preto no dia do crime, confessou na terça-feira, ao se entregar ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), na Capital, que matou o delegado Guerino, e afirmou que agiu sozinho.
Fuga para Capão Redondo
Guerino foi executado com tiros na nuca, dados à queima roupa, de cima para baixo. A princípio, a Polícia Civil trata o caso como latrocínio – roubo seguido de morte – já que a caminhonete, o canivete, duas armas, um aparelho celular e um tablet pertencentes ao delegado foram levados por A.S. Durante a fuga, o acusado teria abastecido o veículo num posto que fica em Itirapina, região de São Carlos (SP) e fugiu sem pagar. No domingo (26), o automóvel foi encontrado estacionado no Bairro Capão Redondo, zona sul de São Paulo, próximo a casa dos pais de A.S. Dentro do imóvel, estavam o canivete e o tablet da vítima.
Circunstância do crime
“Ele seria um dos autores do crime, a circunstância do crime, a abordagem e como se desenvolveu a conduta criminosa ainda está em apuração no inquérito policial. A apuração será feita na comarca de Rio Preto e ele será julgado em Rio Preto também”, completou Raymundo Cortizo.
A Polícia também deverá fazer uma reconstituição do crime, além do acusado prestar um depoimento formal em Rio Preto. Quando foi preso, na terça-feira, ele prestou um depoimento informal sobre o crime.
O acusado disse ainda à Polícia que encontrou o delegado desacordado às margens da Washington Luís. Ele entrou na caminhonete, amarrou o delegado com um fio de celular e quando a vítima acordou eles entraram em luta corporal. Foi quando ele desceu do veículo e deu os tiros na cabeça.
O delegado chefe da unidade de inteligência do Deinter 5, de Rio Preto, e que também atuava como delegado interino em Pedranópolis e Fernandópolis, tinha acabado de sair de uma festa numa chácara. No local do crime, a Polícia encontrou oito cápsulas de uma pistola ponto 40, arma de uso restrito. A mesma que o delegado usava para trabalhar.

Guerino Solfa Neto era chefe do Setor de Inteligência do Deinter-5