Clarius

'Minutinho: Cartas do coração' e 'Crônica: O frio que vem de dentro'

'Minutinho: Cartas do coração' e 'Crônica: O frio que vem de dentro'

Publicada há 9 anos

'Minutinho: Cartas do coração'

Cada um dá o que pensa. Cada um cede o que tem. Cada um encontra o que procura. Cada um recolhe o que semeia. Cada um aprende o que estuda. Cada um dispõe do que entesoura. Cada um permanece onde se coloca. Cada um realiza o que imagina. Cada um mentaliza o que sente. Cada um faz o que deseja. Cada um recebe conforme pede. Cada um se mostra finalmente por fora como age por dentro. Cada Espírito é um mundo por si. Cada coração é continente diverso da vida infinita. Cada propósito é uma força. Cada anseio é uma oração. Cada atitude é uma causa. Cada resolução é um movimento. Cada existência é um livro original. Cada gesto é uma semente que produz sempre, segundo a natureza que lhe é própria. Guardemos, assim a nossa bussola imantada em Jesus, na grande viagem da evolução, de vez que, de acordo com a Sabedoria Divina, “cada qual receberá do Universo, do mundo e das criaturas, de conformidade com as próprias obras”. (Mt). André Luiz.


'Crônica: O frio que vem de dentro'

Seis homens ficaram bloqueados numa cabana por uma avalanche de neve. Teriam que esperar até o amanhecer, para poderem receber socorro.    Cada um deles trazia um pouco de lenha e havia uma pequena fogueira ao redor da qual eles se aqueciam. Se o fogo apagasse, todos morreriam de frio antes que o dia clareasse. Chegou a hora de cada um colocar sua lenha na fogueira. Era a única maneira de poderem sobreviver. O primeiro homem era um racista. Ele olhou demoradamente para os outros cinco e descobriu que um deles tinha a pele escura. Então ele raciocinou consigo mesmo: Aquele negro! Jamais darei minha lenha para aquecer um negro. E guardou-as protegendo-as dos olhares dos demais. O segundo homem era um rico avarento. Ele estava ali porque esperava receber os juros de uma dívida. Olhou ao redor e viu um círculo em torno do fogo bruxuleante, um homem da montanha, que trazia sua pobreza no aspecto rude do semblante e nas roupas velhas e remendadas. Ele fez as contas do valor da sua lenha e enquanto mentalmente sonhava com o seu lucro, pensou: Eu, dar a minha lenha para aquecer um preguiçoso. O terceiro homem era o negro. Seus olhos faiscavam de ira e ressentimento. Não havia qualquer sinal de perdão ou mesmo aquela superioridade moral que o sofrimento ensinava. Seu pensamento era muito prático: é bem provável que eu precise desta lenha para me defender. Além disso, eu jamais daria minha lenha para salvar aqueles que me oprimem. E guardou suas lenhas com cuidado. O quarto homem era o pobre da montanha. Ele conhecia mais do que os outros os caminhos, os perigos e os segredos da neve. Ele pensou: Esta nevasca pode durar vários dias. Vou guardar minha lenha. O quinto homem parecia alheio a tudo. Era um alienado. Olhando fixamente para as brasas. Nem lhe
passou pela cabeça oferecer da lenha que carregava. Ele estava preocupado demais com suas próprias visões (ou alucinações?) para pensar em ser útil. O último homem trazia nos vincos da testa e nas palmas calosa das mãos, os sinais de uma vida de trabalho. Seu raciocínio era curto e rápido. Esta lenha é minha. Custou o meu trabalho. Não darei a ninguém nem mesmo o menor dos meus gravetos. Com estes pensamentos, os seis homens permaneceram imóveis. A última brasa da fogueira se cobriu de cinzas e finalmente apagou. Ao alvorecer do dia, quando os homens do socorro chegaram à cabana encontraram seis cadáveres congelados, cada qual segurando um feixe de lenha. Olhando para aquele triste quadro, o chefe da equipe de socorro disse: o frio que os matou não foi o frio de fora, mas o frio de dentro. 

Autoria desconhecida.

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