Por Breno Guarnieri
Quando nascemos, nossa genética vai determinar todas as nossas características físicas. Já temos uma programação para altura, cor de pele e tudo mais, no entanto, algumas coisas poderão ser modificadas, independente do que determina nosso DNA. Uma forma de modificarmos nosso corpo é através do bodybuilding. Obviamente, há limites, mas grandes transformações são possíveis, desde que acompanhadas de esforço e determinação.
Em Fernandópolis, cresce o número de pessoas que recorrem às academias para definir o corpo. A afirmação é do educador físico Eduardo “Duzão” Saraiva, 29 anos, líder da equipe fernandopolense Team Duzão Saraiva, que participa de várias competições de bodybuilding. Em entrevista à Reportagem de “O Extra.net” , o profissional destaca os principais desafios do esporte, tanto mentalmente quanto fisicamente, e os sentimentos que são despertados em seus alunos como a cidadania e o respeito ao próximo.

Eduardo é educador físico e líder da Team Duzão Saraiva
O EXTRA: O que é bodybuilding exatamente? Em sua visão, atualmente, quais são os maiores desafios do esporte?
DUZÃO: Bodybuilding é a “construção” de um novo corpo, uma nova forma física, através de muito exercício e dieta apropriada. Toda mudança externa depende de uma mudança interna, de um comprometimento, que só acontece quando há vontade real. O bodybuilder precisa de muito esforço físico para moldar o corpo. Para isso, os atletas necessitam de uma alimentação equilibrada, rica em nutrientes e repouso para desenvolver o trabalhado na academia. Com relação aos desafios, como em qualquer outro esporte, ainda pouco difundido no Brasil, a falta de apoio financeiro é grande.
O EXTRA: Quais são os pontos positivos?
DUZÃO: Muitos atletas caracterizam o bodybuilding como um “esporte de 24h”, devido à dedicação necessária não só nos treinos, mas também na sua alimentação extremamente regrada e na preocupação com toda a rotina da sua vida em geral. Todos esses fatores acabam trazendo muita disciplina e responsabilidade para os praticantes, o que são ferramentas importantes para alcançarmos qualquer objetivo na vida. Além disso, acredito também que a pessoa que começa a praticar o esporte num nível competitivo adota um estilo de vida oposto ao dos jovens modernos, onde o excesso de consumo de álcool e outras drogas estão presentes.
O EXTRA: Qual a sua opinião sobre o uso indiscriminado de suplementos alimentares?
DUZÃO: O bodybuilding é um esporte como outro, tem que ter acompanhamento profissional, tanto de um educador físico como de um nutricionista. Caso contrário, a pessoa que realiza essa atividade corre sérios riscos de saúde. A suplementação alimentar acho válida desde que seja usada de uma forma demasiada. A iniciativa tem de ser feita para o objetivo do aluno, favorecendo uma melhora no desempenho, proporcionando uma rápida recuperação muscular. É muito válido para àqueles que têm deficiência na dieta por falta de tempo de seguir uma alimentação regrada. Porém, volto a salientar o uso demasiado. O indiscriminado não apoio.

O EXTRA: Há crenças no bodybuilding, aquelas que as evidências científicas apontam para uma direção oposta do que se pensa e pratica?
DUZÃO: Sim. Alegam que para competir você deve tomar muitas substâncias ergogênicas. Utilização demasiada, mas pelo contrário, a pessoa vai extrair o máximo de si na dieta regrada e no treino. O praticante do esporte tem de estar preparado para ser diferente de muitos. O bodybuilder é assim, sem essas de ergogênicos, que para competir tem que tomar, você tem que se comprometer a tudo, dieta e treino se não fizer você pode até tomar, porém, seu resultado será insatisfatório.
O EXTRA: Como funciona a configuração de um treinamento para competição?
DUZÃO: Como treinador, eu acredito que no bodybuilding vemos inúmeras variações de treinos, de atleta para atleta, e é por isso que eu digo, nem tudo pode ser definido como mais ou menos eficaz. A divisão de treinos vai ter muita variação para cada indivíduo, seguindo sempre os princípios do treinamento e a prioridade do atleta, ou seja, se há um foco maior no desenvolvimento do peitoral, ele vai ter um maior volume diário e semanal de exercícios para o peitoral. Para se trabalhar com bodybuilding é necessária muita sensibilidade por parte do treinador. Na minha visão são necessários dois treinamentos diários. De manhã você realizará um treinamento aeróbio, incluindo esteira, bicicleta e elíptico. À tarde, no segundo treinamento, você realizará o anaeróbio, trabalhar a musculação, procurando corrigir pontos e dar uma maior simetria corporal.
O EXTRA: Você tem algum conselho para quem está começando no bodybuilding? DUZÃO: Os adeptos do esporte precisam de muito esforço físico para moldar os corpos. O conselho que tenho para dar é que faça acreditando em você, por mais que tenha adversidades e muitas pessoas pessimistas ao seu lado. Seja você, faça extraindo o máximo de si, porque a sua vitória vem através do seu esforço e comprometimento.