A rotina é algo que faz parte da vida de todas as pessoas. O dicionário define rotina como a repetição dos mesmos atos e hábitos, sequência dos procedimentos, dos costumes habituais, também o modo como se realiza alguma coisa, sempre da mesma forma, caminho habitual, que se faz todos os dias. Ainda, no sentido figurado, diz que é o gosto pelo que é tradicional.
E como temos hábitos e costumes. Passamos todos os dias pelo mesmo caminho, seja para ir ao trabalho, à academia ou à casa de familiares e amigos. Abrimos a porta sempre da mesma maneira, uns deixam a chave pelo lado de fora, outras fazem questão de tirá-la. Sentamos no mesmo lugar do sofá, naquele ponto do assento que está até como a marca do nosso traseiro e do braço com o sinal do cotovelo.
Há pessoas que são mais metódicas ainda, com hábitos arraigados nas profundezas obscuras da mente. Pessoas que fazem suas refeições em uma hora determinada, nem um minuto a mais ou a menos. Ai de quem seja o responsável por preparar as refeições se a mesa não estiver posta ou as panelas com comida pronta sobre o fogão no horário marcado. E elas vão além, tem o jeito certo de pegar o arroz da panela. Tem que ser retirando-o em círculos, uniformemente, jamais fazendo buraco no meio.
O repórter do New York Times, Charles Duhigg, em seu livro O Poder do Hábito, afirma que “Os hábitos, dizem os cientistas, surgem porque o cérebro está o tempo todo procurando maneiras de poupar esforço. Se deixado por conta própria, o cérebro tentará transformar quase qualquer rotina num hábito, pois os hábitos permitem que nossas mentes desacelerem com mais frequência. ”
Ele conta que os hábitos surgem sem a nossa permissão e que “Se você tem um hábito ruim, ele está sempre ali à espreita, esperando as deixas e recompensas certas. Isso explica por que é tão difícil criar o hábito de fazer exercícios, por exemplo, ou de mudar nossa alimentação. Uma vez que adquirimos uma rotina de sentar no sofá em vez de sair para correr, ou de fazer um lanchinho sempre que passamos por uma caixa de donuts, esses padrões continuam para sempre dentro das nossas cabeças. ”
É claro, existem hábitos bons e ruins. A rotina de estudo ou de trabalho, por exemplo, pode ser vantajoso para quem estabelece uma rotina. Costumes frequentes, sem exageros, de exercícios também. Consultar o médio todos os anos para exames preventivos e check-ups é muito importante.
Mas os maus hábitos que adquirimos e não nos trazem qualquer benefício devem ser matéria de observação e análise mais detalhada de nossa parte. A rotina ofusca nossa retina. Passamos tantas vezes pelos mesmos lugares que não observados o ambiente ao nosso redor. Com o olho grudado no celular, outra atitude de uso contínuo, piorou.
O oposto de rotina é a eventualidade, a exceção, a novidade, a raridade. Tudo aquilo que acontece de maneira diferente do que é costume ocorrer em nosso dia a dia. Todas as coisas que são feitas fora de nosso roteiro cotidiano.
Precisamos, de vez em quando, desrotinizar nossa vida. Mudar nossos trajetos diários, ir a lugares diferentes, mesmo em nossa cidade. Aproveitar os momentos em que somos forçosamente retirados de nossa rotina, por uma eventualidade, ainda que ela não seja agradável, e dedicarmos um tempo a observar o ambiente ao nosso redor, conversar com pessoas diferentes, inclusive estranhas, segundo nossos (pre)conceitos.
Viagens são momentos que nos fazem olhar com mais atenção ao nosso redor, nos forçando a sair da rotina. No entanto, quando isso não é possível, usemos outras opções para mudar os costumes cotidianos. Podemos visitar alguém sem programarmos, convidar amigos para um jantar em um dia da semana em que não gostamos de visita. Conhecer um bairro da cidade pelo qual nunca passamos, mudar de restaurante, de bar, de loja, de supermercado e, quem sabe, de casa.
Cada um pode mudar sua usança de acordo com o bolso ou a criatividade. Seja como for, é possível e imprescindível criar uma exceção em nossa rotina. O cérebro dirá obrigado e você agradecerá a si mesmo. Saia do automático, mude os caminhos, os lugares e a vida.