
Capitão Takebe assumiu o comando da 1ª Cia no mês de junho
Por Jorge Pontes
No que diz respeito ao número de furtos registrados em Fernandópolis neste primeiro semestre, num comparativo com o mesmo período de 2015, pode-se dizer que a cidade está mais violenta. Dados estatísticos da Secretaria Estadual da Segurança Pública mostram que as ocorrências desta natureza tiveram um crescimento de 15% em relação aos primeiros seis meses do ano passado. Até aqui, incluindo o furto de veículos, já foram contabilizados 497 delitos, enquanto em 2015, 431 pessoas foram vítimas da ação criminosa, cuja pena é de um a quatro anos de detenção. No acumulado de 2015, foram 912 furtos, destes, 135 a veículos. Já de costume, o mês de maio em Fernandópolis é o que tem maior índice de furtos, talvez pelo fato da grande maioria da população se deslocar até o Recinto de Exposições durante os 10 dias de festividade alusiva ao aniversário do município. Somente no mês em questão foram 74 furtos. Se é que serve como alento, o número de furtos de veículos, em si, teve uma ligeira regressão. Com uma onda de furtos de motos, no primeiro semestre de 2015, 71 veículos foram furtados, enquanto neste ano foram registrados 58.
FALTA DE POLICIAMENTO?
Quando se fala em aumento da criminalidade, logo se pensa na falta de policiamento, o que, na verdade, mascara os reais fatores que contribuem para o crescimento da ‘bandidagem’, como a própria crise econômica, que faz o criminoso ter que roubar mais pessoas para conseguir determinada quantia desejada, e, claro, não menos importante, o descuido da população com seus pertences. Em entrevista a “O Extra.net”, o comandante da 1ª Companhia do 16º BPMI, de Fernandópolis, Capitão Takebe confirmou que o contingente de Fernandópolis é suficiente e pediu a colaboração da própria população, principalmente nos finais de semana. “Hoje não posso reclamar. Queríamos mais, porém temos nossa escala ordinária normal, temos a DEJEM - Diária Especial por Jornada Extraordinária de Trabalho Policial Militar, que é bico remunerado pelo Estado, temos o retorno da Atividade Delegada, enfim, não posso falar que não temos contingente suficiente. Para a população de Fernandópolis, nosso efetivo está dentro dos padrões estabelecidos pela Polícia Militar. Tirando as sextas-feiras e sábados, à noite, não fica nenhuma ocorrência pendente. Todos que ligam 190 são atendidos sem esperar mais do que o necessário. Nos finais de semana, 90% das ocorrências são relacionadas à perturbação de sossego. Infelizmente, as reclamações de som alto tomam tempo dos policiais que deixam de fiscalizar, de fazer um trabalho preventivo para ir às casas das pessoas pedir para abaixarem o som. Se a própria
população colaborar, o policiamento se torna ainda mais eficaz. A pessoa tem o direito de fazer sua festa, mas mantenha o som num patamar compatível para não atrapalhar os demais que querem descansar”, orientou.
A OCASIÃO FAZ O LADRÃO...
Dentre outros fatores destacados pelo comandante Takebe, o que mais contribui para o aumento do índice de furtos está diretamente relacionado à facilidade encontrada pelos criminosos em agir, aproveitando-se do descuido alheio. “O bandido aproveita do descuido das pessoas, então o policial não consegue estar em todos os locais ao mesmo tempo. Esse mundo ideal, de um policial por equina, nunca vamos ter, por isso é impossível prevenir tudo. Se as pessoas não ajudarem com a segurança primária, ou seja, tudo aquilo que ela pode fazer para não ser roubada e nem ter nenhum bem subtraído, os índices continuarão subindo. No caso de veículo, a pessoa chega para estacionar e deixa a chave no contato, ou muitas vezes deixa até ligado, fora aqueles que deixam o capacete pendurado no retrovisor para facilitar ainda mais a vida do criminoso. Então, para alguém que está pensando em levar uma moto, ou nem está pensando, mas vê uma moto nessas condições é a coisa mais fácil montar e sair andando com ela. Agora, nas residências, as pessoas deixam de gastar um pouquinho a mais para instalar um sistema de monitoramento ou uma cerca elétrica e a casa fica sem nenhum cuidado, pois as pessoas saem para trabalhar e muitas vezes a casa fica desabitada o dia todo. Para o criminoso, entre uma casa com cerca elétrica e uma sem, ele vai naquela que for mais fácil de entrar. A partir do momento que ele está lá dentro, a Polícia pode passar dez vezes lá que não vai vê-lo. Alguns dizem que não terá a casa assaltada, pois paga para o guarda vigiar à noite, mas o bandido sabe que durante a noite a pessoa está lá, por isso, ele age durante o dia. E como ele tem tempo, ele sai tocando a campainha para saber se tem gente”, conclui Capitão Takebe, que ainda lembrou-se de pedir para que a população comunique a PM sempre que notar qualquer movimentação estranha e que evite deixar celulares, notebooks, bolsas ou qualquer pertence à mostra nos veículos, que devem ser trancados em qualquer situação na qual o proprietário precise se ausentar.