FALHA NO SERVI

Estado é condenado a indenizar casal em R$100 mil por mortes de gêmeas

Estado é condenado a indenizar casal em R$100 mil por mortes de gêmeas

Caso aconteceu em 2007 e gêmeas de 7 meses morreram por falta de atendimento neonatal na Santa Casa de Fernandópolis

Caso aconteceu em 2007 e gêmeas de 7 meses morreram por falta de atendimento neonatal na Santa Casa de Fernandópolis

Publicada há 10 anos


Registro de Rita de Cássia com ultrassons das bebês, em dezembro de 2007



Da Redação


A 6ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo - TJ-SP - reformou sentença da Justiça de Fernandópolis, condenando a Fazenda Pública do Estado a indenizar o casal Alessandro Ribeiro da Silva e Rita de Cássia dos Santos, pais de duas gêmeas que morreram na Santa Casa local por falta de vagas em UTI Neonatal, em 2007.


A Justiça de Fernandópolis julgou improcedente o pedido relativo ao pagamento de indenização por danos morais decorrentes de erro médico sobre o atendimento dispensado à autora/parturiente e de ausência de disponibilização de vaga em UTI neonatal, fato que acarretou as mortes. Inconformados com a decisão, os pais apelaram ao TJ ao sustentar que restou patente o dever de indenizar, tendo em vista que não foi utilizado o melhor procedimento médico obstétrico no caso, em virtude de sua peculiaridade, bem como a ausência da vaga em UTI neonatal aumentou a probabilidade de óbito dos recém-nascidos.


Como consta em Acórdão, na Apelação nº 0000116-75.2010.8.26.0189, para a relatora Silvia Meirelles “mostra-se bastante lógico este raciocínio, posto que havendo ato omissivo, este não poderia ter sido praticado pelo próprio Estado que, não tendo agido, não pode ser o autor do dano. Somente faz sentido responsabilizá-lo quando tenha descumprido dever legal que lhe era imposto para o fim de evitar o evento lesivo. No caso, analisando-se os elementos de prova, constantes nos autos, forçoso concluir pela falha na prestação do serviço público”.




RELEMBRE O CASO 


O casal Alessandro Ribeiro da Silva e Rita de Cássia dos Santos esperava a chegada de suas filhas gêmeas, que já tinham seus nomes escolhidos: Lorraine Vitória da Silva e Laiane Mara da Silva. A jovem mãe fazia o acompanhamento pré-natal na Unidade Básica de Saúde da Cohab Antonio Brandini, com a médica Maria Cristina.


À época, Rita de Cássia foi levada às pressas à Santa Casa de Fernandópolis, pois estava em trabalho de parto, sentindo dores abdominais e contrações. Porém, sem uma unidade específica para atendimento neonatal, os médicos da Santa Casa, segundo informou Rita de Cássia, estavam ministrando medicamentos para retardar o nascimento das gêmeas.


“Uma de minhas filhas tinha apresentado em um dos últimos ultrassons, um problema”, declarou Rita. O problema a que se referiu Rita de Cássia é um “hiperecogênico em topografia de músculo papilar no ventrículo esquerdo”, segundo consta em laudo do ultrassom citado pela mãe, que confirmou afirmações de alguns médicos que a atenderam na Santa Casa.


“Os próprios médicos afirmaram que os bebês provavelmente estariam vivos se fossem encaminhados a uma Unidade Neonatal”, declarou Rita.
“Se minha mulher tivesse recebido um atendimento digno, nós estaríamos com nossas filhas”, declarou Alessandro Ribeiro.


A Saúde Pública Estadual não conseguiu, em tempo, encaminhar Rita de Cássia a um Hospital onde há atendimento especializado para partos de risco.
Segundo informações, médicos de Fernandópolis solicitaram pedidos a três Hospitais: ao Padre Albino, em Catanduva, à Santa Casa de Jales e a um Hospital de São José do Rio Preto, porém sem sucesso.


Somente no dia 12 de dezembro de 2007, dois dias após ser internada, é que Rita de Cássia foi encaminhada para sala de parto. “A primeira filha que vi, já estava morta, e a segunda nasceu com infecção, disseram os médicos”, relembra Rita.
Uma das irmãs, Laiane, foi enterrada no dia 12, horas após o parto, no Cemitério da Consolação. Lorraine foi encaminhada à Santa Casa de Jales, onde há Unidade Neonatal, mas não resistiu e faleceu na madrugada do dia 14, sendo sepultada no dia 15, também no Cemitério da Consolação, em Fernandópolis.

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