ELEIÇÕES MUNI
Foi instituído um 'Calendário de Transparência', com a submissão das urnas a “testes públicos de segurança” compostos por investigadores independentes
Foi instituído um 'Calendário de Transparência', com a submissão das urnas a “testes públicos de segurança” compostos por investigadores independentes

No pleito deste ano, serão utilizadas 550 mil urnas eletrônicas em todo o Brasil
Da Redação
Completando 20 anos de sua primeira utilização, a urna eletrônica ainda divide opiniões entre os brasileiros. Apesar da agilidade na apuração dos votos, especialistas apontam vulnerabilidades que podem levar à manipulação de resultados, possibilidade veementemente negada pela Justiça Eleitoral. No pleito deste ano, serão utilizadas 550 mil urnas eletrônicas em todo o País.
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) garante que todas são seguras e que, desde 1996, “não houve nenhum registro de fraude identificada por autoridades competentes”. Mesmo assim, inaugurou em 2016 um reforço na segurança. Foi instituído um “Calendário de Transparência”, com a submissão das urnas a “testes públicos de segurança” compostos por investigadores independentes e acompanhado por órgãos como a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e Ministério Público. Na semana passada, investigadores da Universidade de Taubaté apontaram uma fragilidade que permitiria a captação de áudio dos eleitores na urna, o que segundo o TSE foi corrigido.
NÃO HÁ SISTEMA SEGURO
Apesar das precauções, Diego de Freitas Aranha, professor do Instituto de Computação da Unicamp, alerta: “não há sistema 100% seguro”.
Ele diz que a urna é “eficiente, mas com um custo considerável de transparência” e que a “confiabilidade” da apuração é mais importante do que a sua agilidade. Em 2012, ele liderou uma equipe de pesquisadores que encontrou uma brecha no software da urna. Eles conseguiram coletar a ordem em que cada candidato foi votado e, comparando com a lista de eleitores da seção, quebrariam o sigilo dos votos. Além disso, ele afirma ter encontrado brechas mais graves que permitiriam, até, a manipulação de resultados. Para ter mais segurança, ele pede que haja também o registro de voto impresso.
VOTO IMPRESSO
A partir de 2018 será obrigatória a impressão do voto registrado nas urnas eletrônicas, conforme aprovado pelo Congresso na Lei 13.165/2015. Após a votação eletrônica, o equipamento emitirá também um registro em papel, que deverá ser depositado em uma urna física lacrada. Para os congressistas, a medida irá aumentar a transparência e melhorar a auditoria das votações. A Justiça Eleitoral vê com restrições a mudança, pois aumentará os custos do pleito.