
Leiloeiro Rodrigo Rigolon falou apenas para três credores, o vice-presidente Italiano e dois integrantes do grupo América Sempre Forte
Da Redação
A Justiça do Trabalho de Rio Preto estendeu até o dia 4 de novembro o prazo para a venda do estádio Teixeirão para quitar 143 ações trabalhistas já julgadas de ex-funcionários do América. O valor total corrigido se aproxima de R$ 10 milhões. A data limite para receber propostas em envelopes fechados era esta segunda-feira, dia 5, mas ninguém se interessou em comprar o imóvel por R$ 21 milhões, 60% do valor de sua última avaliação judicial - R$ 35 milhões.
Agora, não existirá concorrência e o leiloeiro Rodrigo Rigolon poderá receber propostas até inferiores ao valor mínimo. “Todas as propostas serão entregues a mim e repassadas à juíza (Daniela Borges) para deferir ou não”, disse Rigolon.
O leiloeiro seguirá seu ritmo de divulgar a venda do imóvel em busca de um comprador. “É um imóvel de valor alto e bem diferente. Não só no dia-dia nos leilões, mas na parte imobiliária, não é sempre que vemos um estádio ser vendido. Tem peculiaridades a se aplicar na venda desse imóvel”, emendou.
Nem o presidente do América, José Carlos Pereira Neto, o Zé Branco, nem o advogado do clube, Renato Custódio da Silva, foram ao fórum trabalhista. Apenas o vice-presidente Luiz Donizete Prieto, o Italiano, outros dois membros do Grupo América Sempre Forte, além de três credores (ex-funcionários). “Esse pessoal do América não pensa em resolver nosso problema, porque não pensa em fazer um comodato. Querem que alguém pague a conta e que eles apareçam”, disse Roberto Rivelino Rici, que de 1993 a 2005 foi assistente contábil do Rubro.
Outro ex-funcionário na frustrada tentativa de recebimento foi Sebastião Rodrigues, ex-motorista que trabalhou cinco anos no clube e já espera outros 11 para receber. “Ninguém da diretoria pensa no direito do trabalhador. Tinha de fazer o bem para todos, só pensam no América. Muito pai de família quase passou fome quando foi mandado embora de lá”, emendou Rodrigues.
Mário de Alvarenga Campos Júnior, o Marinho, não perde a esperança. “Tem que dar certo, uma hora tem de ser arrematado.”
A juíza Daniela Borges também despachou sobre o pedido de suspensão da venda feita pelo advogado do clube na sexta-feira, outra vez apresentando como falha no edital o argumento de que existem minas de água no subterrâneo do estádio. A juíza manteve sua decisão de que não existe qualquer laudo técnico que comprove a existência das nascentes.