
Registro de Becinha junto ao TSE, com número diferente do santinho utilizado nesta campanha: divulgou 77222, mas o correto seria 77345: não se elegeu
Por João Leonel
Como agir ao descobrir que o número de sua candidatura, divulgado durante toda a campanha eleitoral, estava errado, ainda mais no dia da eleição? Esta situação foi vivenciada por alguns candidatos a vereador nas Eleições 2016. Em Guarani d’Oeste, município localizado a 30 Km de Fernandópolis, Edson Morcelli (SD), conhecido por “Becinha”, concorria pela terceira legislatura consecutiva. Fora eleito em 2008 e 2012, quando, inclusive, presidiu a Câmara no biênio 2013-2014. “Era umas 10h quando comecei a receber ligações dos meus eleitores, amigos e familiares. Era uma ligação atrás da outra. Todos perguntando se este ano eu não tinha foto na urna”, contou Edson, em contato com a Reportagem de “O Extra.net”. “Fui eleito em 2008 com o número 40222. Em 2012, havia mudado de partido, e meu número foi 55222. Este ano, como mudei novamente de partido, meu número era 77222. Mas, somente no dia da votação, após as ligações, fiquei sabendo que meu número registrado no Cartório Eleitoral foi 77345”, disse o candidato. Ele conseguiu alertar alguns de seus eleitores, mas já era tarde. “Quando confirmei meu número, nem fazia ideia de como ele foi escolhido. Mas, já era mais de 11h, e ainda avisei algumas pessoas. Tive só 58 votos”. Votação esta muito próxima do total de votos que obteve em 2012: 67. “Minha margem de voto seria entre 100 e 150, estava bem contato esse ano. Fiz santinho, jingle, adesivo, tudo o que é permitido para campanha. E tudo com o número errado”, lamenta Edson. Indagado se irá acionar a Justiça Eleitoral para tentar reverter essa situação, o candidato disse que ainda não se decidiu. “Eu nem sei o que é que eu faço. Não tenho cabeça para pensar nisso agora”.
EM RONDÔNIA: SOMENTE QUANDO FOI VOTAR
Uma candidata a vereadora em Guajará-Mirim/RO, distante 330 quilômetros de Porto Velho, descobriu que fez campanha para si mesma com o número errado somente na hora de votar. Ao tentar registrar seu nome nas urnas, o voto aparecia como nulo. Edilamar Quintão-PTN, disse que fez a divulgação de sua campanha durante 45 dias com o número 19159, mas foi pega de surpresa. “Fui votar em mim e não consegui. Quando digitava, aparecia ‘candidato inexistente’, então chamei o presidente da seção para ver o que estava acontecendo. Ele conferiu o número e disse que era 19789. Fiquei frustrada”, comentou a candidata, que registrou um boletim de ocorrência na Delegacia Regional de Polícia Civil e disse que pretende procurar orientação de um advogado. Em entrevista ao portal de notícias G1, o juiz eleitoral Paulo José do Nascimento disse que em Guajará-Mirim é a primeira vez que aconteceu esse tipo de ocorrência. “Nunca tinha visto nada parecido nas eleições. Ela não tem como recorrer, pois o erro não partiu do TRE”, cravou o responsável pela Zona Eleitoral de Guajará-Mirim e Nova Mamoré.

Candidata a vereadora viu o erro na hora de votar: registro no Cartório Eleitoral era um e o número nos santinhos de campanha era outro
EM MACAMBIRA, SERGIPE
O candidato a vereador da cidade de Macambira/SE, Geovane Barreto, o “Geovane da Sapucai”, do Partido Social Democrático, foi mais um que descobriu somente no domingo que realizou sua campanha com o número errado. Segundo ele, toda a sua campanha foi realizada com o número 55222, mas ao chegar à urna, o número apareceu como inexistente. No site do Tribunal Superior Eleitoral, o número registrado é 55522. ‘‘Quando fui votar percebi o erro. E conferi a lista com os números dos candidatos que estava no local e me desesperei. Votei corretamente e sai chorando’’, disse. Apesar da troca, o candidato conseguiu mobilizar alguns eleitores e conquistou 127 votos. Ainda de acordo com Geovane, a confusão que determinou a troca de números ocorreu durante a convenção do partido. “A ata foi feita depois. E o erro pode ter acontecido na hora de enviar esse cadastro para o TRE”. Ele informou ainda que vai consultar um advogado para saber se algo ainda pode ser feito.

Geovane divulgou o número errado na campanha no agreste sergipano: também não se elegeu
É DIFÍCIL REVERTER
O Tribunal Superior Eleitoral informa que a responsabilidade pelo registro das candidaturas, sobre todos os dados enviados via Candex - Sistema de Candidaturas (modo externo), com informações inseridas pelos partidos diretamente no site do TSE, é das coligações partidárias. Além disso, com os números registrados dentro do prazo e sem contestação do próprio candidato e de algum representante de sua respectiva coligação, não caberia qualquer tipo de recurso. Resta uma única certeza: eles aceitaram a numeração registrada.
*Com informações do Portal G1/Globo.com