EDINHO ARAÚJO

‘Não aspiro ministério’, afirma Edinho

Edinho, que foi ministro da Secretaria de Portos, defende o impeachment da presidente Dilma Rousseff

Edinho, que foi ministro da Secretaria de Portos, defende o impeachment da presidente Dilma Rousseff

Publicada há 10 anos

Por Diário da Região

‘Não aspiro ministério’, afirma EdinhoA cúpula nacional do PMDB decide hoje se deixa a base de apoio ao governo Dilma. Cerca de 120 integrantes do partido vão definir a saída da base. Na avaliação do deputado federal Edinho Araújo (PMDB), o que ele chama de “desembarque” deve ser aprovado.

Edinho, ex-ministro de Dilma, agora defende o impeachment. Se a presidente for afastada, o vice Michel Temer assume a Presidência. O deputado estima que o processo todo deve ser concluído em maio. Cotado para ser ministro de Temer, ele disse em entrevista ao Diário ontem, que “não aspira” qualquer posto em eventual governo de Temer. Leia principais trechos da entrevista:

 

Diário da Região - O PMDB vai romper com o governo Dilma na reunião desta terça?

Edinho Araújo - Véspera é sempre tempo de expectativa. Eu mantenho minha posição de desembarque. Em princípio, essa será a posição da maioria inclusive com entrega de ministérios e todos os cargos que o PMDB tenha no governo federal.

 

Diário - O PMDB está dividido?

Edinho - O PMDB é um partido com características que são próprias, históricas. O PMDB tem consciência de que o governo chegou a um ponto de exaustão, com reflexos na política e principalmente na economia. Precisamos vencer o clima de estagnação, de desânimo. Isso é uma realidade que destrói a base familiar.

 

Diário - Quando foi ministro, o senhor afirmou no ano passado que não havia motivos para impeachment e não via nada que pudesse colocar mandato de Dilma em risco. O que mudou?

Edinho - A situação econômica se agravou. Quero dizer antes de mais nada que servi ao País. Uma honra, tive oportunidade que tive indicado por Michel Temer. E a instabilidade econômica decorre da instabilidade política. Esse clima de exaustão não me leva a ter perspectiva. Espero que construa essa esperança dessa perspectiva de que o Brasil tem rumo.

 

Diário - Em quanto tempo o Congresso vai definir pelo afastamento de Dilma?

Edinho - O processo está em curso. A expectativa é que em meados de abril passe pelo plenário da Câmara. Depois vai ao Senado. Acredito que em maio esteja totalmente consolidado.

 

Diário - O senhor acha que o governo consegue evitar o impeachment ou o desgaste é tamanho que não dá para conter?

Edinho - O que eu sinto é através da sensibilidade, da opinião pública, vem das ruas. Dessa agonia que vive o País a cada dia. É preciso retomar a estabilidade. Isso que o País precisa. Para tanto, é preciso ter uma boa política para ter uma boa economia.

 

Diário - Se a presidente for afastada, o vice Temer assume. O senhor pode assumir ministério nesse caso?

Edinho – Não aspiro nada mais do que cumprir o meu papel aqui no Congresso Nacional.

 

Diário - Então, não seria ministro de Temer?

Edinho – Não aspiro. O meu futuro político não está vinculado a estas decisões emergenciais para salvar a pátria.

Diário - Em Rio Preto muita gente afirma que se o senhor for ministro, o quadro eleitoral muda completamente.

Edinho - É isso que acabo de dizer para você, que não tem projeto pessoal e nem aspirações. Temos de unirmos para sair da crise, o que este governo mostrou que não é capaz. Esta é a minha avaliação.

 

Diário - O senhor abriria mão de eventual candidatura se for ministro?

Edinho - O momento que estamos vivendo no PMDB é com relação a esta reunião de amanhã. Essa é minha concentração. Estou focado agora nesta situação na expectativa de contribuir para que a gente possa retomar o crescimento.

 

Diário - Sua participação efetiva nesse processo do impeachment tem afastado do cenário eleitoral de Rio Preto?

Edinho - O PMDB local está discutindo a cidade, formando plano de governo, chapa de vereadores. Eu mantenho também um olhar diferente para Rio Preto e também a região.

 

Diário - Então não há definição sobre sua candidatura?

Edinho - Não. Meu futuro político, repito, não está vinculado a essas decisões emergenciais para salvar o País.

 

Diário - Deputado, o senhor traiu o governo Dilma, como dizem alguns integrantes do PT?

Edinho - Eu servi o País. Fui ministro dos Portos e deixei minha marca, como executivo que sou, com ações extremamente positivas num ministério que estava travado com interrupções e esclarecimentos que precisavam ser dados ao no Tribunal de Contas da União (TCU). Portanto, servi ao País. Tenho muita honra disso indicado que fui pelo partido.

Diário - A defesa que senhor faz do impeachment é uma espécie salvo conduto junto ao eleitorado de Rio Preto?

Edinho – O impeachment é um dispositivo constitucional.

 

Diário - Deputado, qual impacto na sua avaliação da Lava Jato na eleição em Rio Preto? O PMDB tem 45 nomes na lista da Odebrecht.

Edinho – Temos de aguardar e esperamos que os responsáveis possam responder pelos seus atos. Temos de aguardar todo processo legal, com direito à defesa, uma vez que é um assunto do Poder Judiciário.

 

Diário - O senhor teve candidatura contestada pelo Ministério Público Eleitoral em 2014 por causa de condenação por improbidade. Uma liminar do STJ suspendeu a condenação e o processo ainda não foi julgado no mérito. Isso pode atrapalhar candidatura do senhor?

Edinho - O caso está entregue aos meus advogados e eu acredito na Justiça porque não cometi nada que contrariasse interesses públicos. O que fiz foi em benefício da cidade.

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