Por José Renato Sessino Toledo Barbosa
Tenho orgulho de minha mulher, Jacqueline, por todas as qualidades que existem numa mulher de muitíssimas. Além disso, pela inteligência, lucidez e perspicácia. Sinais que indicam uma grande mulher. Para corroborar com aquilo que penso e sinto, novamente, sábado tive uma prova: sua coluna nesse periódico. Foi impecável. Irreparável. Não há nada a ser acrescentado pós sua análise. Portanto, não voltarei ao tema.
Além disso, escrever acerca de política partidária, dos mecanismos do poder, é tema que exige um esforço gástrico-intestinal gigantesco. Dá ânsia de vômito, ver, ouvir, ler, o que esses vermes falam, escrevem, pensam (?)
Todavia, para reforçar a tese de minha mulher: essa semana “estouraram” escândalos envolvendo o PSDB, partido paladino da justiça, da moral e dos bons costumes: a roubalheira dos trens e a safadeza criminosa da merenda escolar. A grande imprensa não deu o destaque que entendo que deveria. Não houve alarde. O judiciário não saiu à caça às bruxas. O povo não fala.
Terça-feira (29.03.16) foi um dia tétrico para os profissionais da educação: acostumados ao descaso que nos foi relegado pelo partido que está no poder há mais de vinte anos – aqui não cabe discutir continuísmo?-, fomos obrigados a aguardar com ansiedade a anunciação do maldito bônus, prática calhorda inventada por esses fascistas, a fim de substituir a responsabilidade de conceder reajustes salariais. Nesse ano existia grande expectativa, na medida em que os famigerados índices criados pelos burocratas foram muito acima da média. Na falta de salários melhores, as contas continuam a chegar, serve o bônus. Veio a porrada: não haverá bônus! Em troca um “aumentão” de dois e meio por cento nos salários. Isso mesmo. Esse é o índice.
Com esse percentual, num salário de três mil reais que é a “mérdia” de quem está há mais de vinte anos na profissão, significa receber a mais, mensalmente, setenta e cinco reais. Em um ano: novecentos e setenta e cinco reais. Quer dizer, muito menos que o maldito bônus.
É evidente, como professor, não concordo com bonificação ao invés de reajuste. Defendo e entendo o segundo imprescindível. Quer estabelecer um plus para aqueles que se empenham mais, se dedicam, obtém índices melhores – a educação também está presa a isso agora -, sem problemas. No entanto, um reajuste com números exequíveis é mister.
Onde quero chegar: bradar histericamente contra corrupção, enxergando um único partido ou somente alguns nomes, é no mínimo, muita miopia política.
Esperar mudanças sob as lentes desse partido perdoem-me, me parece burrice. Na medida em que tratam a educação, o literal futuro com tanto descaso e crueldade; executam roubalheira na merenda escolar? Ao cabo de mais de trinta e dois anos na educação pública do estado de São Paulo, concluo aquilo que sempre combati: joguei fora boa parte da minha vida. Trabalhei sério e duro, como tem que ser. Qual o reconhecimento profissional disso? Pouco. Muito pouco. Vivemos num mundo mediado pelo dinheiro. É fato. Se medi-lo por esse prisma... Nenhum. Concluo em minha pausa para reflexão: Não há saída. Não há futuro. Diz Millôr Fernandes: “A humanidade provou que é um projeto que não deu certo”.