JULGAMENTO SER
“Não tenho mágoa, mas não consigo perdoar”
“Não tenho mágoa, mas não consigo perdoar”
Declara médico Orlando Candido Rosa sobre acusados de tentativa de homicídio, em entrevista; Dr. Jarbas Alves e Sueli Longo serão julgados pelo crime ocorrido contra Orlando; outros dois também se
Declara médico Orlando Candido Rosa sobre acusados de tentativa de homicídio, em entrevista; Dr. Jarbas Alves e Sueli Longo serão julgados pelo crime ocorrido contra Orlando; outros dois também se

Depois da tentativa de homicídio, Dr. Orlando nunca mais se encontrou com o ex-amigo
Por Breno Guarnieri
A Justiça de Fernandópolis marcou para os dias 13 e 14 de dezembro deste ano o julgamento popular do médico Jarbas Alves Teixeira e da mulher dele, Sueli Longo
Teixeira. Rodrigo Sampaio e Ronaldo Henrique Mota, ex - motorista de Jarbas, também serão julgados nestes dois dias. O quarteto é acusado de encomendar a morte do também médico Orlando Candido Rosa, que foi baleado no dia 12 de junho de 2013, quando fechava o portão da sua residência em um bairro de classe média, em Fernandópolis.
Com o caso novamente a tona, a Reportagem de “O Extra.net” procurou o médico Orlando Candido Rosa, que salientou que reviverá um pesadelo. “A minha família e eu ainda não superamos o trauma. Desagrada-me vê-los (acusados) no Tribunal como réus, pois estou condenado a viver com isso pelo resto da vida. Sempre tenho flashback do pistoleiro vindo em minha direção e atirando contra o meu peito”, disse Dr. Orlando, que ainda acrescentou: “não tenho sentimento de mágoa no coração, mas ainda não consigo perdoar eles (acusados), em razão de quem (Jarbas) arquitetou toda a trama e como foi executada, totalmente de forma covarde. Isso me entristeceu”.
Questionado a respeito do sentimento que tem por cada um dos acusados, Dr. Orlando resumiu em uma só palavra: tristeza. “O Ronaldo e o Rodrigo eu não os conheço. Minha tristeza maior é em relação ao Dr. Jarbas e a mulher dele, Sueli. Ele foi meu amigo por mais de 40 anos, mas fez parte dessa trama diabólica. Não esperava essa atitude dele, pois sempre fui um amigo presente e fiel. Se ele (Jarbas) estava com algum problema ou estavam me ‘envenenando’ contra ele, poderíamos sentar e conversar para resolver a situação, muito diferente do que foi feito. Nunca imaginei que ele contrataria um pistoleiro para me matar. Sou uma pessoa do bem”, acrescentou.
Ainda de acordo com Dr. Orlando, os dois nunca mais se viram. “Nunca mais vi eles (casal). Espero que a Justiça seja feita, que cada um pague o que fez”, finalizou. Dr. Orlando é casado com a professora Salete Rosa e tem três filhos, os médicos Orlando Filho e Amanda Novaes Rosa e o publicitário Ricardo Novaes Rosa.
JÚRI
O juiz da 2ª Vara Criminal de Fernandópolis, Vinicius Castrequni Bufullin, pronunciou os réus Rodrigo e Ronaldo para que sejam submetidos ao julgamento pelo Tribunal do Júri como incursos no artigo 121, § 2º, inciso I e IV, c.c.artigo 14, inciso II, na forma do artigo 29, todos do Código Penal, e os réus Dr. Jarbas Alves Teixeira e Sueli Longo Teixeira foram pronunciados para que sejam submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri como incursos no artigo 121, § 2º,
inciso IV, c.c artigo 14, inciso II, na forma do artigo 29, todos do Código Penal (tentativa de homicídio o tentado e associação).
QUARTETO
Dr. Jarbas aguarda o julgamento em prisão domiciliar. A Justiça lhe concedeu este benefício após serem constatados sérios problemas em relação a sua saúde. Sueli segue detida na penitenciária de Tupi Paulista, enquanto Ronaldo e Rodrigo estão detidos no CDP de Riolândia.
O CASO
O médico Orlando Candido Rosa foi baleado no dia 12 de junho de 2013, quando fechava o portão de sua residência em um bairro de classe média, em Fernandópolis. Usando capacete, um dos indivíduos o chamou pelo nome e ao responder foi atingido por um disparo de revólver calibre 22. O pistoleiro ainda efetuou outro disparo que atingiu uma parede interna da casa. O médico conseguiu voltar até a sala de sua residência quando familiares correram para ver o que ocorreu. Ele foi atendido por uma unidade do SAMU, sendo encaminhado ao Pronto Socorro da Santa Casa consciente e posteriormente foi levado ao centro cirúrgico para a retirada da bala. Segundo apurou a Reportagem, a tentativa de homicídio
contra o médico se deu depois que o presidente licenciado da Unimed Fernandópolis, Dr. Jarbas e a esposa Sueli começaram a receber telefonemas e cartas ameaçadoras, sendo citados assuntos de conhecimento somente de Jarbas e Orlando.
Pela apuração dos fatos, concluiu-se que o responsável pelo envio das cartas com as ameaças era o próprio motorista e “homem de confiança” de Jarbas,
Ronaldo Mota, que ditava as cartas que eram escritas e entregues por Rodrigo.
O esquema só foi descoberto por meio de interceptações telefônicas ao consultório
do médico Orlando, feitas a partir de uma linha pertencente a Ronaldo. Para a Polícia ficou clara a participação do médico Jarbas como um dos mandantes
juntamente com a mulher, Sueli, e o motorista, Ronaldo, que teria induzido o presidente destituído da Unimed a ter convicção que as ameaças partiam do Dr. Orlando.

Em 2013, Dr. Jarbas e Sueli se apresentaram à Polícia Civil para prestarem depoimento