SAÚDE EM CRISE
Cerca de 250 profissionais médicos, que deveriam ter recebido seus vencimentos no dia 30 de dezembro, ainda aguardam o pagamento
Cerca de 250 profissionais médicos, que deveriam ter recebido seus vencimentos no dia 30 de dezembro, ainda aguardam o pagamento
Da redação

Diretoria do hospital admitiu o problema e culpou o Estado
A crise que afeta a Santa Casa de Fernandópolis parece estar se espalhando. Cerca de 250 profissionais médicos da Santa Casa de Votuporanga, que deveriam ter recebido seus vencimentos no dia 30 de dezembro, ainda aguardam o pagamento. A diretoria do hospital culpa o atraso de repasses por parte do governo do Estado. A secretaria estadual de Saúde contesta a informação.
O pagamento do corpo clínico é feito em duas parcelas. A maior, no dia 20, e o restante no dia 30 de cada mês. Com isso, amanhã, venceria mais um pagamento.
Em nota oficial, a Santa Casa de Votuporanga admitiu o atraso. “No momento não é possível estabelecer um prazo para pagamento, pois a instituição está aguardando a chegada de recursos, inclusive referente ao programa Santas Casas Sustentáveis, no qual a entidade é classificada como Hospital Estruturante”, diz o texto.
O hospital afirmou ainda que busca tem feito um esforço para equilibrar suas finanças. “Diante da crise financeira nacional, nos últimos anos foram intensificadas as ações para diminuir despesas, controlar gastos, melhorar receitas e, desta forma, manter as portas abertas. A instituição aproveita a oportunidade para agradecer a compreensão e o apoio que os médicos têm demonstrado nesse momento tão delicado”, concluiu a nota.
Por meio de sua assessoria de imprensa, a Secretaria estadual de Saúde negou que tenha causado o atraso nos salários. Segundo a pasta, a Santa Casa de Votuporanga tem gestão estadual, o que significa que os pagamentos por serviços prestados ao SUS (Sistema Único de Saúde) são realizados pelo Ministério da Saúde e transferidos pelo Estado. A secretaria garante que esses pagamentos estão “rigorosamente em dia”.
Ainda de acordo com o hospital, a Santa Casa recebe ainda recursos de dois programas estaduais: o SOS Santa Casa (ou Santas Casas Sustentáveis) e o Pró-Santa Casa. O órgão ressalta que os convênios firmados no âmbito desses programas não permitem a utilização dos recursos para recursos humanos (salários).
Por aqui
Três dias após ser “desafiada” pelo deputado estadual Gilmar Gimenes (PP) a aceitar uma auditoria em sua gestão, a diretoria da Santa Casa de Fernandópolis convocou para amanhã, dia 20, uma entrevista coletiva com o provedor Edilberto Sartim. No mesmo dia em que Gilmar fez o pedido público, o vereador João Pedro da Caixa (PTB) sugeriu uma intervenção judicial no hospital.
Segundo a assessoria de imprensa do hospital, Gimenes e Sartim se reuniram na quarta-feira. O assunto discutido no encontro, no entanto, não foi revelado.
Endividada, a instituição de Fernandópolis também enfrenta problemas para honrar os pagamentos de seus funcionários. No final do ano passado, a entidade chegou a fechar o pronto-socorro, alegando falta de repasses por parte dos municípios que utilizam o serviço. A unidade já foi reaberta.