André Marcelo

Comunicação e cultura

Comunicação e cultura

André Marcelo Lima Pereira

André Marcelo Lima Pereira

Publicada há 9 anos

Para os agrupamentos humanos, a comunicação é tão importante quanto o sistema nervoso para o corpo (PIMENTA, 2004, p.191): é ela que estabelece e alimenta as relações (comerciais, afetivas, de trabalho) entre as pessoas e os grupos, já que possibilita a troca de mensagens entre os sujeitos. 


Esse intercâmbio de mensagens, por seu lado, proporciona a formação de uma cultura, cujo reflexo representa a própria veiculação de valores, costumes, crenças, hábitos, pensamentos etc. As especificidades de cada povo, assim, refletem-se na comunicação, que garante sua identidade cultural. Dessa forma, quando se fala em comunicação empresarial, esta não pode desconsiderar tal cultura, uma vez que a comunicação é dirigida a diferentes públicos com características próprias, e a linguagem (verbal ou não) deve ser adequada (e alterada) conforme as diferentes realidades. 


Pimenta (2004) lembra que, para qualquer assunto, cada pessoa tem seu próprio modo de ver o mundo e lhe atribuir valores: as pessoas têm seu modo pessoal de formar “juízos” sobre coisas e fatos: quer pelo senso comum, quer pelo senso crítico. Para Gramsci (1978 apud PIMENTA, 2004), o senso comum é representado por um conhecimento desagregado, incoerente, vivencial, adequado à posição social e cultural, acrítico, imediatista, crédulo; é o senso comum o responsável pelas grandes generalizações, provérbios e ditos populares. quando, porém, se assume uma atitude voltada para a análise das várias abordagens de um conteúdo, está-se assumindo o senso crítico, pelo que se pondera sobre as coisas e fatos, se percebem os problemas analisados sob vários pontos de vista (implicações, papéis, atitudes, relação das situações com outras semelhantes etc.) 


É importante, pois, que a comunicação esteja orientada não somente para o que se diz, mas – e principalmente – para o que possa ser entendido pelo receptor a quem ela se dirige (PIMENTA, 2004). Assim, é necessário estar-se atento ao significado do que se diz (signo apropriado – o código ou codificação), para que o receptor decodifique (perceba) a mensagem da forma desejada pelo emissor (processo de decodificação, inverso ao anterior). 


Portanto, é fundamental que aquele que recebe a mensagem retransmita ao emissor o entendimento da mensagem de forma coerente, tanto quanto a desejada pelo emissor, portanto, dê-lhe um feedback, que corresponda a uma “reação ao ato de comunicação. Ele possibilita que o emissor saiba se sua mensagem foi aprovada, desaprovada, compreendida ou não” pelo receptor (PIMENTA, 2004, p.26). Para Rego (1986, p.64-652), o feedback é o processo pelo qual os trabalhadores fazem “chegar aos escalões superiores suas opiniões, atitudes e ações sobre assuntos importantes para o funcionamento da empresa”. Ele proporciona à administração controle de seus objetivos e sugere possíveis futuras mensagens a serem transmitidas aos funcionários. 


A comunicação, nesse sentido, rompe com o paradigma tradicional (BUENO, 20033): essa nova postura reconstrói o cenário diante das constantes modificações por que passa o mercado, reflete o intercâmbio de informações internas e externas e aponta para a criação de uma cultura comunicacional dentro da organização.


1 PIMENTA, Maria Alzira. Comunicação empresarial. 4. ed. Campinas, SP : Alínea, 2004.


2 REGO, Francisco Gaudêncio Torquato do. Comunicação empresarial / comunicação institucional. Conceitos, estratégias, sistemas, estrutura, planejamento e técnicas. 5. ed. São Paulo : Summus, 1986.


3 BUENO, Wilson da Costa. Comunicação empresarial – teoria e pesquisa. Barueri, SP : Manole, 2003.




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