POLÍTICA

Deputado Carlão discute cenário político e possível migração partidária

Deputado Carlão discute cenário político e possível migração partidária

Em entrevista ao Antagonista, Pignatari aponta mudança para o PSD

Em entrevista ao Antagonista, Pignatari aponta mudança para o PSD

Publicada há 1 hora

Foto: Divulgação / Fonte: Leonardo Caporalini

Da Redação

O deputado Carlão Pignatari participou, na noite desta terça feira, 10 de fevereiro, de uma entrevista ao portal O Antagonista, conduzida pelos jornalistas Madaleine Lacsko e Duda Teixeira. Durante a conversa, o deputado abordou com franqueza temas centrais do atual cenário político nacional e estadual, com destaque para a possibilidade de deixar o PSDB e migrar para o PSD, legenda presidida nacionalmente pelo secretário de Governo do Estado de São Paulo, Gilberto Kassab.

Logo no início da entrevista, ao ser questionado sobre as informações que circularam a respeito de sua saída do PSDB, Carlão foi categórico ao afirmar que ainda não houve filiação ao PSD. Segundo ele, o que existe até o momento são conversas políticas com o presidente Kassab, dentro da normalidade do processo democrático e respeitando os prazos legais. O deputado lembrou que a janela eleitoral para mudança partidária se abre apenas no início de março, e que qualquer decisão definitiva somente será tomada dentro desse período.

A jornalista Madaleine Lacsko comentou que a notícia da possível saída de Carlão do PSDB causou surpresa, sobretudo em razão da longa trajetória do deputado na sigla. Ao responder, Carlão resgatou sua história política e destacou sua ligação com o partido. Ele disputou sua primeira eleição em 1996 pelo PSDB e, em 2000, foi eleito prefeito de Votuporanga pela primeira vez, permanecendo filiado à legenda desde então. O deputado enfatizou que, independentemente de vitórias ou derrotas, toda a sua formação política ocorreu dentro do PSDB, partido ao qual sempre esteve ligado.

Apesar disso, Carlão fez uma reflexão crítica sobre o atual momento da sigla. Na entrevista, afirmou que o PSDB não pode acabar e que sua eventual extinção representaria uma grande perda para o país. Segundo ele, o partido teve papel decisivo na história recente do Brasil, comandou a Presidência da República, teve ministros, senadores e protagonizou importantes reformas estruturais. Para o deputado, o PSDB precisa passar por um processo profundo de reestruturação, pois faz parte da história política nacional e ainda tem relevância institucional.

Ao tratar mais diretamente da possível ida para o PSD, Carlão afirmou que sua migração está praticamente acertada, embora ainda dependa de novas conversas com Gilberto Kassab. Ele ressaltou que se identifica como um político de centro direita e deixou claro que não pretende integrar partidos que se aproximem do campo da esquerda. Para o deputado, o debate político precisa ser propositivo, responsável e voltado ao desenvolvimento do país.

Carlão também aproveitou a entrevista para defender mudanças no sistema eleitoral brasileiro. Declarou ser favorável ao voto distrital e ao distrital misto, modelos que, em sua avaliação, valorizam a representatividade e a ligação direta entre o deputado e a população. Segundo ele, o atual sistema de eleições proporcionais, baseado na soma de votos de legenda, permite que candidatos muito votados acabem não se elegendo, enquanto outros, com votação menor, alcancem mandatos graças à composição das chapas. Para o deputado, essa lógica é equivocada e precisa ser revista.

Nesse contexto, o deputado explicou que a decisão de mudar de partido está diretamente ligada à estrutura partidária. Para ele, uma legenda precisa ter uma chapa forte, bem distribuída e organizada em todo o estado, para que os votos somados resultem em uma representação justa. Carlão destacou que Kassab conseguiu montar essa estrutura no estado de São Paulo e também em nível nacional, transformando o PSD em um partido sólido, competitivo e preparado para as eleições deste ano.

O deputado lembrou que, desde a eleição anterior, o PSDB não conseguiu se movimentar de forma eficaz para montar chapas fortes, situação que, segundo ele, permanece até hoje. Citou, inclusive, reuniões com lideranças tucanas, como o ex prefeito Paulo Serra, nas quais esse tema foi debatido. No entanto, de acordo com Carlão, não houve avanço concreto, o que acabou contribuindo para a saída de diversos quadros importantes do partido. Ele fez questão de frisar que não há descontentamento pessoal com o PSDB, mas sim a necessidade de buscar um ambiente político mais favorável e confortável para disputar as eleições.

Outro ponto abordado na entrevista foi a mudança no perfil dos deputados eleitos. Carlão criticou o fenômeno de deputados que se elegem exclusivamente pelo alcance nas redes sociais, muitas vezes sem conhecer a realidade dos municípios. Como deputado municipalista, afirmou que visita, em média, cerca de 300 municípios por ano, ouvindo prefeitos, vereadores e lideranças locais. Segundo ele, esse trabalho de base, fundamental para o fortalecimento das cidades, tem sido preterido em detrimento de campanhas digitais, o que acaba deixando de fora deputados com forte atuação regional.

Ao final da entrevista, Carlão comentou que não esteve presente em uma recente reunião do PSD com lideranças políticas, pois estava no interior do estado cumprindo agenda em sua base eleitoral. Disse, no entanto, que deve se reunir com Gilberto Kassab nos próximos dias e avaliou ser muito difícil que não concretize sua ida para o PSD. Manifestou ainda a expectativa de que outros deputados também migrem para a legenda.

Encerrando sua participação, o deputado Carlão Pignatari parabenizou o trabalho desenvolvido pelo portal O Antagonista, destacando a seriedade, a imparcialidade e o compromisso com a informação de qualidade em favor do Brasil.

Fonte: Ascom Carlão Pignatari

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