Crônica: O sopro divino - Uma história de Ramiro Gama

Crônica: O sopro divino - Uma história de Ramiro Gama

Leia também: A caridade material e a caridade moral - Por Irmã Rosália

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Publicada há 1 hora

Minutinho: A caridade material e a caridade moral

Por: Irmã Rosália

Quero que compreendais bem o que deve ser a caridade moral, que todos podem praticar, que materialmente nada custa, e que não obstante é a mais difícil de se por em prática.

A caridade moral consiste em vos suportardes uns aos outros, o que menos fazeis nesse mundo inferior, em que estais momentaneamente encarnados.

Há um grande mérito, acreditai, em saber calar para que outro mais tolo possa falar: isso é também uma forma de caridade.

Saber fazer-se de surdo, quando uma palavra irônica escapa de uma boca habituada a caçoar; não ver o sorriso desdenhoso com que vos recebem pessoas que, muitas vezes erradamente, se julgam superiores a vós, quando na vida espírita, a única verdadeira, está às vezes muito abaixo: eis um merecimento que não é de humildade, mas de caridade, pois não se incomodar com as faltas alheias é caridade moral.

Foto: Reprodução / Fonte: Getty Images

Essa caridade, entretanto, não deve impedir que se pratique a outra. Pelo contrário: pensai, sobretudo, que não deveis desprezar o vosso semelhante; lembrai-vos de tudo o que vos tenho dito; é necessário lembrar, incessantemente, que o pobre repelido talvez seja um Espírito que vos foi caro, e que momentaneamente se encontra numa posição inferior à vossa.

Reencontrei um dos pobres do vosso mundo a quem pude, por felicidade, beneficiar algumas vezes, e ao qual tenho agora de pedir, por minha vez.

Recordai-vos de que Jesus disse que somos todos irmãos, e pensai sempre nisso, antes de repelirdes o leproso ou o mendigo. Adeus!

Pensai naqueles que sofrem, e orai.

Crônica: O sopro divino

Por: Ramiro Gama 

Eram oito horas da manhã de um sábado de maio.

Chico levantara-se apressado. Dormira demais. Trabalhara muito na véspera, psicografando uma obra erudita de Emmanuel.

Não esperara a charrete.

Fora mesmo a pé para o escritório da Fazenda.

Não andava, voava, tão velozmente caminhava.

Ao passar defronte à casa de D. Alice, esta o chama:

- Chico, estou esperando-o desde as seis horas. Desejo-lhe uma explicação.

- Estou muito atrasado, D. Alice. Logo na hora do almoço, lhe atenderei.

D. Alice fica triste e olha o irmão, que retomara os passos ligeiros a caminho do serviço.

Um pouco adiante, Emmanuel lhe diz:

- Volte, Chico, atende a irmã Alice. Gastará apenas cinco minutos, que não irão prejudicá-lo.

Chico volta e atende.

- Sabia que você voltava, conheço seu coração.

E pede-lhe explicação como tomar determinado remédio homeopático que o caroável Dr. Bezerra de Menezes lhe receitara, por intermédio do abnegado Médium.

Atendida, toda se alegra. E despedindo-se:

- Obrigada Chico. Deus lhe pague! Vá com Deus! 

Chico parte apressado. Quer recobrar os minutos perdidos.

Quando andara uns cem metros, Emmanuel, sempre amoroso, lhe pede:

Pare um pouco e olhe para trás e veja o que está saindo dos lábios de D. Alice e caminhando para você.

Chico para e olha: uma massa branca de fluidos luminosos sai da boca da irmã atendida e encaminha-se para ele e entra-lhe no corpo...

- Viu, Chico, o resultado que obtemos quando somos serviçais, quando possibilitamos a alegria cristã aos nossos irmãos?

E concluiu:

- Imagine se, ao invés de “vá com Deus”, dissesse, magoada, “vá com o diabo”. Dos seus lábios estariam saindo coisas diferentes, como cinzas, ciscos, algo pior...

E Chico, andando agora naturalmente, sem receio de perder o dia, sorri, satisfeito com a lição recebida, entendendo em tudo e por tudo o serviço ao Senhor, refletido nos menores gestos, com os nomes de Gentileza, Tolerância, Afabilidade, Doçura, Amor. 

O texto é de livre manifestação do signatário que apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados e não reflete, necessariamente, a opinião do 'O Extra.net'.

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