OPINIÃO
Artigo: A razoabilidade deve prevalecer perante a desinformação
Artigo: A razoabilidade deve prevalecer perante a desinformação
Por: Pablo Dávalos - Engenheiro de Produção, MBA executivo em Gestão Industrial
Por: Pablo Dávalos - Engenheiro de Produção, MBA executivo em Gestão Industrial

“O coração tem razões que a própria razão desconhece”. Frase poderosa atribuída ao filosofo e matemático Blaise Pascal. Não é uma hipérbole dizer que no século XVI um pensador fosse capaz de desafiar o paradoxo de que o coração possui sua própria lógica. Emoções, fé e intuição são imunes a sobriedade de nossas personalidades, e nessa anáfora de pensamentos podemos encontrar uma antítese entre amor e razão para humanizar nossas decisões mais difíceis.
O ser humano se encaminha para um caos incomparável ao que podemos suportar em nossos cenários mais catastróficos, se por um lado temos a facilidade de ter a pluralidade tecnológica moderna, por outro vemos a chama corroendo o pavio com a mesma velocidade de nossas descobertas, se encaminhando para uma explosão que não podemos dominar. Ocorre que da mesma maneira que o Blaise Pascal determinou que nossos corações não obedecem a regras e algumas vezes sua balança pesa para situações ininteligíveis, penso que não precisamos ser filósofos ou matemáticos para saber que não somos qualificados, eficientes, idôneos, justos e razoáveis para saber lidar com a grandeza de informações e rapidez com a qual estamos progredindo assiduamente. Não utilizamos sequer 10% de nossa inteligência, intelecto e cognição, mas queremos cada vez mais dominar informações, distâncias, pular etapas e atropelar as engrenagens do tempo que levamos para nos adaptar a cada nova habilidade ou novidade. O cérebro tem poderes que o próprio poder não está apto a conhecer e obedecer.
Não muito distante, há alguns anos surgiram os drones, hoje são os novos assassinos à distância. Não muito distante, há alguns anos surgiram os primeiros princípios de inteligência cibernética, hoje celulares, dispositivos digitais, nuvens e armazenamentos são os novos espiões e estão nas palmas de nossas mãos, acessamos todos os dias e deixamos rastros valiosos usados por empresas das piores índoles possíveis. Não irá demorar muito para percebermos as consequências em nossas gerações futuras, fruto do atrofiamento de pensamentos que acomete a inerente habilidade humana que nos acompanha há milênios: evoluir.
Não estamos evoluindo como deveríamos evoluir, pois começamos a fazer isso de uma maneira totalmente pueril. É esdrúxulo pensar que podemos considerar o século em que estamos como o de uma era evolutiva, quando não conseguimos atualmente formular uma frase sem antes consultar site de pesquisas, robôs que auxiliam a formular ideias e mais torpe que isso é saber que algumas autoridades já fazem uso desses recursos para fundamentar seus próprios pensamentos ou dublês de pensamentos, reflexos da preguiça, desdobramentos do perigo da dependência de artificialidade monótona e pérfida com nossa própria inteligência, ou o que restou dela.
A malevolência de quem usa perversamente a inteligência artificial e demais estratagemas deverá mostrar sua verdadeira face, seu poder de fogo e sua capacidade de enganar com astúcia, ardileza, técnica e recurso através do fingimento, dissimulação e mascaramento às pessoas de menor grau de instrução. Isso será mais perceptível no cenário politico e pleito eleitoral que o Brasil passará neste ano.
O grande problema e razão de minha crítica é que quando deixamos de agir, alguém age por nós, quando terceirizamos nossas decisões alguém se beneficia delas seja para o bem ou para a prática do mal. É muito comum jovens estarem cada vez mais afastados de temas importantes para a vida, para a comunidade. Adolescentes e até adultos pouco se importam com temas como economia, política, futuro. É nesse ponto que se esconde o erro, pois a desinformação causada pela má formação fetal do que chamamos de era tecnológica e inteligência artificial é capaz de destruir democracias, sociedades, nações e causar a incapacidade de propugnar a tempo a verdade valiosa e ofuscada. O Poder é suasório, e a linha tênue entre o que é verdadeiro e falso, que outrora dependia de nós mesmos através de nossa própria razão de decidir, hoje está cada dia mais confuso. Talvez o coração não possua razões, mas nossa própria razão pode nos guiar para que possamos através da sabedoria, inteligência e cidadania nos prepararmos e assim melhorar nosso país.
Pablo Dávalos é Engenheiro de Produção, MBA executivo em Gestão Industrial – FGV, Especialista em solos e nutrição de plantas – USP, Especialista em PPCP black belt six sigma, consultor de negócios e empresário no ramo de agronegócios.
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