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Investigação contra máfia italiana e PCC revela Fernandópolis como rota internacional de cocaína
Investigação contra máfia italiana e PCC revela Fernandópolis como rota internacional de cocaína
500 quilos apreendidos no aeroporto seguiria para a Europa, aponta Polícia Federal
500 quilos apreendidos no aeroporto seguiria para a Europa, aponta Polícia Federal

Operação no Aeroporto de Fernandópolis. Foto: Arquivo / Jornal O Extra.net
Da Redação
Uma investigação da Polícia Federal deflagada na última terça-feira (2) revelou que Fernandópolis teve papel estratégico na descoberta de uma sofisticada rota internacional de tráfico de drogas operada por integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) em parceria com organizações criminosas estrangeiras.
Segundo as autoridades, um carregamento de 490,8 quilos de cocaína apreendido anteriormente em uma aeronave no aeroporto de Fernandópolis em 05/06/2020 fazia parte de uma estrutura logística destinada ao envio de drogas para o mercado europeu. A apreensão acabou comprometendo uma operação criminosa de alcance internacional e forneceu elementos importantes para o avanço das investigações.
De acordo com a Polícia Federal, a carga apreendida no interior paulista abasteceria o veleiro “Mobydick”, que aguardava em Ilhabela, no litoral de São Paulo, para iniciar uma travessia pelo Oceano Atlântico com destino à Espanha. A droga seria transportada por terra até a costa brasileira antes de seguir para a Europa por via marítima.
As investigações apontam que a perda da carga provocou atrasos na operação criminosa e gerou conflitos entre integrantes da facção brasileira e operadores responsáveis pelo transporte internacional da droga.
As informações vieram à tona durante a Operação Narco Sky, deflagrada pela Polícia Federal na última terça-feira (2). A ação tem como objetivo desarticular uma organização criminosa transnacional especializada no envio de grandes carregamentos de cocaína para países da Europa e da África. A operação cumpriu dez mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul e Pará.
Além das prisões, a Justiça Federal determinou o bloqueio e confisco de bens e valores dos investigados em até R$ 631,8 milhões. Os nomes dos envolvidos também foram incluídos na Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo internacional utilizado para localização e prisão de foragidos.
A investigação também aponta conexões entre o PCC e o sérvio Antun Mrdeza, conhecido pelos apelidos de “Nikola Boros” e “John Gotti”. Segundo a Polícia Federal, ele é apontado como integrante de alto escalão da organização mafiosa italiana ‘Ndrangheta e suspeito de atuar no financiamento e coordenação de grandes remessas internacionais de cocaína.
Mrdeza está preso na Venezuela desde 2025 e é alvo de disputas judiciais internacionais relacionadas à sua extradição. As autoridades o consideram uma peça central em uma rede global de tráfico de drogas com atuação na América do Sul, Europa e África.
Embora a apreensão da cocaína tenha ocorrido meses antes da deflagração da Operação Narco Sky, os investigadores afirmam que o episódio foi fundamental para mapear a cadeia logística utilizada pelo grupo criminoso.
A partir da análise da carga interceptada em Fernandópolis, a Polícia Federal conseguiu identificar conexões entre operadores nacionais, intermediários estrangeiros e estruturas utilizadas para o transporte internacional dos entorpecentes, ampliando o alcance das investigações.
A Operação Narco Sky é resultado de cooperação internacional e representa uma das maiores ofensivas recentes contra o tráfico internacional de drogas, com foco nas conexões entre facções brasileiras e organizações criminosas estrangeiras.