SOLIDARIEDADE
Caminhoneiro constrói mais de 1,7 mil casinhas para proteger cães e gatos abandonados
Caminhoneiro constrói mais de 1,7 mil casinhas para proteger cães e gatos abandonados
Iiniciativa é sustentada por doações e recursos próprios
Iiniciativa é sustentada por doações e recursos próprios

Foto: Reprodução / Fonte: Redes sociais
Da Redação
A solidariedade de um caminhoneiro tem feito a diferença na vida de centenas de cães e gatos abandonados em São José do Rio Preto. Há cerca de três anos, Leomar Aparecido Miguel decidiu transformar um terreno em uma oficina improvisada e passou a fabricar casinhas para proteger animais em situação de rua do frio e da chuva.
Mesmo sem qualquer experiência em marcenaria, ele aprendeu sozinho a construir os abrigos e, desde então, já produziu mais de 1,7 mil casinhas. Atualmente, o voluntário recebe cerca de dez pedidos por dia, atendendo protetores independentes e pessoas que cuidam de animais resgatados.
Segundo Leomar, o projeto surgiu durante uma viagem de caminhão. Enquanto observava a chuva, pensou na situação dos animais que vivem nas ruas.
"Eu passava pelas ruas e via os cachorrinhos e os gatinhos molhados. Aí pensei: comida, ração e água até têm, mas abrigo onde encontra?", relembra.
A partir dessa reflexão, ele decidiu aprender marcenaria por conta própria e começou a produzir as primeiras casinhas em uma oficina montada de forma simples.
Hoje, o trabalho voluntário ocupa boa parte do tempo livre do caminhoneiro.
Entre as beneficiadas está a dona de casa Valdenice da Silva Gomes, responsável pelos cães Billy e Penélope. Sem condições financeiras para comprar um abrigo, ela improvisava uma proteção utilizando uma mesa.
Com a doação da casinha, a realidade dos animais mudou.
"É muito lindo, eu amei. Estou muito feliz, porque meus cachorros não vão mais tomar chuva e passar frio", afirmou.
O projeto também beneficia protetores independentes. Próximo ao Estádio Teixeirão, por exemplo, cerca de 15 gatos que vivem nas ruas passaram a contar com abrigo graças às casinhas produzidas pelo caminhoneiro.
A voluntária Cleuza Mantovani Diniz, que há uma década alimenta animais abandonados em aproximadamente 30 pontos da cidade, destaca a importância da iniciativa.
"Às vezes a gente vê eles se escondendo no mato em dia de chuva. O coração da gente dói", relata.
Além de fabricar os abrigos, Leomar realiza pessoalmente a entrega das casinhas, sem cobrar qualquer valor.
A iniciativa, entretanto, gera despesas mensais que chegam a aproximadamente R$ 4 mil, entre materiais, transporte e manutenção.
Embora receba doações da comunidade, os recursos arrecadados não são suficientes para custear todo o projeto. Por isso, Leomar e a esposa complementam as despesas com recursos próprios para manter a produção.
Mesmo sem retorno financeiro, o caminhoneiro afirma que a maior recompensa é ver os animais protegidos.
"Você vê os animais abrigados. Isso não tem preço", resume.
O projeto de Leomar Aparecido Miguel tornou-se um exemplo de como iniciativas individuais podem gerar impacto coletivo. Com dedicação, criatividade e trabalho voluntário, o caminhoneiro ajuda a oferecer mais dignidade e proteção a cães e gatos abandonados, mobilizando a comunidade e incentivando a causa da proteção animal.