MEIO AMBIENTE
Monitoramento flagra onça-parda com filhotes e mais de 160 espécies de animais na usina da Água Vermelha
Monitoramento flagra onça-parda com filhotes e mais de 160 espécies de animais na usina da Água Vermelha
Levantamento realizado no entorno do reservatório identificou espécies ameaçadas de extinção
Levantamento realizado no entorno do reservatório identificou espécies ameaçadas de extinção
Clique na imagem (ou aqui) para assistir aos vídeos / Fonte: Auren Energia
Da Redação
Uma onça-parda (Puma concolor) acompanhada por seus dois filhotes está entre as dezenas de registros de animais silvestres, capturados pelas câmeras instaladas em áreas de conservação ambiental da Usina Hidrelétrica de Água Vermelha, na divisa entre os estados de São Paulo e Minas Gerais. O flagrante, inédito em áreas da companhia, foi obtido durante a primeira etapa do Programa de Monitoramento de Fauna da Auren Energia. Até o momento, foram 163 espécies de animais silvestres catalogadas no entorno da hidrelétrica, incluindo cinco ameaçadas de extinção. Além da onça-parda, figuram nesta lista a anta (Tapirus terrestris), o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), o mutum-de-penacho (Crax fasciolata) e o gato-do-mato-pequeno (Leopardus guttulus).
“Registrar uma onça-parda com dois filhotes é um indicativo importante da qualidade ambiental e da relevância das áreas conservadas na região da usina. Esse resultado mostra que o local abriga uma biodiversidade muito rica, que vai além do que se vê à primeira vista. Também reforça o quanto é importante manter esse trabalho”, destaca Odemberg Veronez, gerente de Sustentabilidade da Auren Energia.
A nova etapa do Programa de Monitoramento de Fauna na região teve início em novembro de 2025 e já concluiu duas das oito expedições de campo previstas (a última está marcada para junho de 2027). Desde então, o levantamento já identificou 130 espécies de aves, 22 de herpetofauna (anfíbios e répteis) e 11 de mamíferos de médio e grande porte.
Parceria com universidades
Só para flagrar mamíferos de médio e grande porte, foram instaladas 28 câmeras fotográficas automáticas que funcionam dia e noite, acumulando mais de 3.360 horas de monitoramento por expedição. Outras quatro câmeras foram adicionadas a esse trabalho em janeiro deste ano, por meio de uma parceria com pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (SEMIL), com foco específico em entender como os mamíferos de grande porte, como a anta e a onça-parda utilizam as áreas de restauração florestal ao redor do reservatório.
“As fêmeas de onças-pardas percorrem grandes áreas e costumam deslocar os filhotes entre diferentes abrigos ao longo do tempo. Por isso, ainda não é possível afirmar se a área está sendo utilizada para a reprodução. Mas, somente o registro dessa espécie de grande predador na região, mesmo que de passagem, nos dá alguns sinais sobre a importância da conservação local, da conectividade entre os fragmentos e da riqueza da biodiversidade no território”, explica Mariana Ortega, analista de Sustentabilidade da Auren, responsável pelas pesquisas na região.
Além do uso de câmeras de monitoramento, os biólogos também percorrem por trilhas previamente mapeadas em todos os pontos monitorados, em busca de pegadas, fezes e outros vestígios deixados pelos animais. Esses indícios são fundamentais para identificar a presença das espécies na área, mesmo quando não são registrados pelas câmeras, permitindo confirmar que determinados animais passaram pelo local.
“Na Auren, sabemos que conservar a biodiversidade exige parceria, ciência e acompanhamento contínuo. É por isso que seguimos investindo nesse programa ao longo dos anos, trabalhando lado a lado com universidades e o poder público, ampliando o conhecimento sobre a fauna e os ecossistemas das regiões onde atuamos. As próximas expedições previstas até 2027 serão fundamentais para aprofundar esse monitoramento e apoiar decisões cada vez mais qualificadas em conservação ambiental”, finaliza Odemberg. Os dados coletados ao longo das atividades em campo serão consolidados em um relatório anual que irá subsidiar ações de restauração ambiental, conservação e cuidado com o meio ambiente na região.